ESTANTE LITERÁRIA – TEMPOS MODERNOS

How the Old World Ended

Geralmente os historiadores tem sus próprias maneiras de dividirem a história. Para efeito práticos algumas vezes eles a dividem em termos de séculos ou milênios.

Para o professor Jonathan Scott da universidade de Auckland na Nova Zelândia, a Idade Moderna comecou no meio do século XVIII com o avanço da Revolução Industrial deixando assim para trás o que costumamente chamamos de Idade Média ou a era Feudal.

No seu extraordinário livro  “How the Old World Ended”(Como o Velho Mundo Terminou), o professor nos mostra toda a complexidade desta transição. Para ele havia na época certos prerequisitos para que acontecesse essa transição primeiro Iniciada na Holanda, ou nos países baixos, depois perdendo esta posição para a poderosa Grã-Bretanha que possuía várias colonias ao redor do mundo.

A população destas enormes colonias(EUA por exemplo) inglesas saltaram de 300 mil no início do século XVIII para mais de 2.5 milhões no final do século. A demanda desta enorme população de consumidores para os produtos manufaturados aumentou com a mesma rapidez permitindo com isso que a Grã-Bretanha ultrapassasse seus rivais e assumisse a pole-position da Revolução Industrial.

No crepúsculo do seculo XVIII as colônias e ex colônias britânicas estavam comprando quase 60% de seus bens industriais e 32% de suas materias primas, tais como: madeira, ferro, peixe e tabaco. De acordo com o livro, quem realmente deu o início a Revolução Industrial foi a Holanda junamente com a região conhecida por países baixos.

Jonathan Scott

Professor Jonathan Scott da Universidade de Auckland da Nova Zelândia

Por causa de sua topografia e a abundância dos seus rios,  a transportação fluvial ficou mais fácil. Além do mais, por causa de pouca terra arável, os países baixos concentraram suas energias e técnicas no comércio e na manufatura como alternativa de subsistência. Com a falta de uma area agricultural para alimentar toda sua população a Holanda foi obrigada a contar com a produção pesqueira usando-a para o comércio com grãos.

Em 1500(descobrimento do Brasil) a Holanda dependia da construção naval da França e Alemanha. Um século depois o país já possuia a maior indústia naval da Europa, dominado com isso o enorme comércio global. Tudo isso trouxe uma abundância de negócios e inovações entre elas estavam: Sociedade Anônima, Bolsa de Valores e Seguradora. Ou seja, o que conhecemos hoje como o Capitalismo moderno.

Toda essa atividade econômica começou naturalmente aguçar ainda mais os olhos da poderosa Grã-Bretanha que por causa dos seus próprios recursos naturais, sua indústria naval e sua prática de comércio favorecendo os investidores do país, conseguiu no final do século XVIII ultrapassar a Holanda como  uma potência marítima e comercial.

Assim como os holandeses, os ingleses desenvolveram todo  um aparatus comercial e legal para guiar a Grã-Bretanha nesta nova fase de expansão global. Possuindo um enorme cabedal de informações sobre este novo e importante período histórico, o senhor Scott nos conta como um sitema medieval empobrecido e centralizado local da Europa abriu o caminho para um mundo financeiro e industrial que perdura fortemente até os dias atuais./WSJ

How the Old World Ended

Jonathan Scott

Editora – Yale

Páginas – 392, US$35

TREM DE LUXO

 

Patron Tequila express

Patron Tequila Express do empresário John Paul Dejoria

O senhor John Webb tem somente 35 anos. Ele mora no interior do estado de Nova York, mais precisamente em Fishkill, uma cidadezinha que fica a seis horas de Nova York.

Ele comanda uma seguradora. Assim como alguns mais afortunados dos seus conterrâneos, o senhor Webb gosta de levar seus filhos para passear em diferentes estados quando eles estão de férias.

Para evitar as aglomerações e o caos  das estradas, dos aeroportos, estações rodoviárias e ou de ônibus durante o período das ferias nos EUA (Junho-Agosto), ele prefere viajar de trem. A grande diferença é que ao invés de resevar duas cabinas, uma para ele e outra para seus dois filhos, o senhor Webb tem a coqueluche de viajar num vagão todo seu que está atrelado no último vagão de um trem comercial da companhia Amtrak. O vagão privado foi todo remodelado ao custo de US$1 milhão e levou três anos para ser inteiramente restaurado.

Segundo a Associação dos donos de vagões de trens privados nos EUA(luxury train club em inglês) existem aproximadamente 150 destes vagoes em circulação no país. O custo de cada um deles varia entre US$25 mil a US$800 mil dependendo é claro de suas condições. O custo para renovação de um vagão inteiro pode chegar a mais de US$1 milhão.

Estas raridades evocam a grande época dos grandes capitalistas dos EUA que ajudaram a desbravar o país com as ferrovias de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Nomes como por exemplo: Vanderbilt, Woolworth ou Rockefeller. A maioria destes vagões tem suas histórias atreladas a personalidades como o ator Clark Gable, o fabricante de carros Henry Ford e até mesmo ao presidente Franklin D Roosevelt.

Silver Solarium California Zephyr

Os vagões restaurados de hoje em dia podem ser considerados como verdadeiras mini-mansões luxuosamente decoradas e geralmente divididas em vários compartimentos com seus cozinheiros privados e com “deck” de observação.

“É como uma enorme casa de férias”, disse o bilhonário e empresário John Paul Dejoria, dono da famosa destilaria Patron Spirits, a mesma que produz a tequila “Patron”,  cujo vagão privado de 1927 chamado de “The Patron Tequila Express” leva ele e seus privilegiados convidados como o ator Dan Aykroyd e os diversos candidados a presidência dos Estados Unidos ao redor do país.

O senhor Dejoria gastou mais de US$2 milhões na renovação do vagão que contem uma sala de jantar, uma cozinha moderna, um observatório e uma suite com banheiro. Ele apelidou seu vagão de palácio de marajá. Seu custo é de US$10 mil por mês para manter seu pequeno “hobby”.

The Patron Tequila Express

Vagão privado de John Paul Dejoria dono da destilaria Patron Spirits.

Para agradar essa clientela diferenciada a Amtrak  sofre uma enorme pressão por parte de seus usuários para manter seus trens no horário. Para muita gente dentro da empresa a receita de mais de US$4 milhões por ano relacionada com estes vagões privados não está justificando a parceria.

Apesar de todas as regulamentações envolvendo a Amtrak e todos custos financeiros, os trajetos e os horários, os donos dos vagões não querem se livrar desta bela coqueluche.

O senhor Webb diz que ser dono de um vagão pode tornar-se uma grande obssessão. Ele atribui seu divórcio em parte ao tempo e dinheiro que ele gastou para comprar e renovar o vagão. Os três anos de renovação do seu vagão podem ser comparados a ficar “observando a tinta secar”.

Isto não o impediu de comprar mais dois vagões em 2016 que estão sendo renovados, totalizando agora 6 vagões privados. Sua atual namorada é “bastante solidária”, ele diz com um enorme sorriso./WSJ