MUSEU DO STALIN

Entrada do Museu Joseph Stalin na cidade de Gori na Georgia

Quando lembramos sobre o que realmente foi o Gulag na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), duas idéias rapidamente vem a nossa cabeça. A primeira delas é o rosto do ditador bigodudo Joseph Stalin e a segunda é o trabalho forçado ao qual milhões de cidadãos foram submetidos especialmente na gédila Siberia.

Segundo os historiadores, sob as ordens de Joseph Stalin, mais de 1 milhão de cidadãos pereceram entre as prisões e os campos de trabalho forçado. Estes detalhes altamente importantes estão fora do pequeno e ao mesmo tempo fascinante museu chamado Museu do Stalin localizado na cidadezinha de Gori no pequeno país Georgia que fazia parte da antiga União Soviética, porém, continuou atrelado forçosamente a Russia até sua completa separação em 2008 depois de décadas de conflitos armados.

Joseph Stalin, nascido Loseb Besarionis dze Jugashvill, filho de um pedreiro foi um dos maiores criminosos do mundo. Entretanto, no museu que leva seu nome voce não ficará sabendo que Joseph Stalin foi um poeta e um bom cantor. Durante seu período a frente da União Soviética mais de 9000 empresas estatais foram criadas. Uma de suas netas mora nos EUA e é dona de uma loja.

Museu Joseph Stalin

Entres os itens que fazem parte do museu estão um casaco de pele dado ao ditador por uma companhia de Moscou, várias pinturas, muitas fotografias e objetos pessoais. Um dos pontos altos do museu está do lado de fora. Estacionado ao lado do museu está o vagão usado por Stalin para ir até a conferência de Potsdam na Alemanha em 1945 logo após o final da Segunda Grande Guerra Mundial.

O museu como era de se esperar enaltece a narrativa a respeito de um menino pobre que apesar das grandes dificuldades atingiu os patamares mais altos no escalão do poder. O museu tem um longo carpete vermelho adornando uma de suas salas. Uma máscara da morte de Joseph Stalin está sobre um pedestal de mármore invocando um lider amado por todos.

O visitante do museu logicamente ficará intrigado porque não há referência alguma sobre as fazendas coletivas, um dos grandes fracassos governamental onde mais de 4 milhões de soviéticos passaram fome.

“Muitos erros foram cometidos na União Soviética durante a coletivação”, disse o guia turístico. “Mesmo assim fazendas coletivas foram criadas”.

Apesar de não ter a sanção estatal, o museu é um enorme sucesso atraindo mais de 160 mil visitantes anualmente. Segundo as informações locais, os turistas que visitam o local são principalmente chineses e russos.

Vagão que levou Joseph Stalin até a famosa conferência Potsdam na Alemanha no final da Guerra em 1945.

Joseph Stalin inspira emoções profundas no país onde ele passou os primeiros anos de sua vida, e uma destas fortes emções é a reverência dedicada a sua pessoa. Isto fica bem claro na cidade de Gori, onde muita gente especialmente os mais velhos veem no ditador uma figura importante quase benevolente que construiu um império e ainda lutou contra os nazistas na Segunda Grande Guerra Mundial

“Ele era uma pessoa simples que cresceu e tornou-se o lider de um grande país,” disse Mera B’chatadze, um trabalhador na construção aposentado. “Ele foi um gênio,” acrescentou o amigo Givi Lursmanashivi.

Por causa desta enorme hagiografia em volta do ditador, o governo federal da Geórgia esta tentando explicar melhor quem realmente foi Joseph Stalin e o que ele realmente representou.

Em 2012 o ministro da cultura anunciou que a exposição seria transformada para que suas milhares de vítimas também fossem homenageadas. Na verdade, a mudança nunca ocorreu. O museu acrescentou um quarto adjacente ao prédio contendo uma mesa onde as confissões eram arrancadas a força dos prisioneiros. Há também a réplica de uma cela.

Numa recente visita, um grupo de turistas alemães não foram levados para esta nova parte do museu. Aparentemente o guia turístico não quer macular a boa imagem do grande lider com a imagem de um grande sanguinário./NYT

JOSEPH E. LOWERY (1921-2020)

Joseph E. Lowery em conferência em 1979 na cidade de Nova York – Lederhandler/AP

O reverendo Joseph E. Lowery, um dos braços direito do reverendo Martin Luther King, Jr. faleceu no começo do ano na sua residência em Atlanta. Ele foi fundamental não somente durante o famoso boicote contra a companhia municipal de ônibus em Montgomery no estado do Alabama entre os anos de 1955 e 1956, mas foi também uma peça bastante importante na fundação e o sucesso da Conferência de Liderança Cristã do Sudeste (SCLC sigla em Inglês) na luta contra o racismo norte americano.

Esta organização foi a mais importante durante a época da luta pelos direitos civis e estava ligada diretamente ao pastor e ativista MLK Jr.. O senhor Lowery presidiu a organização entre os anos de 1977 e 1997.

Mesmo antes do famoso confronto dentro do ônibus municipal entre a ativista negra Rosa Parks e o motorista branco James Fred Blake, Joseph E. Lowery tinha feito uma outra campanha com algum sucesso para a integração racial dentro dos ônibus municipal na cidade de Mobile. Contudo, depois da ação de Rosa Parks recusando-se a dar seu lugar dentro do ônibus para um passageiro branco, ele juntamente com o jovem pastor Martin Luther King, Jr. e outros pastores organizaram o boicote contra a segregação racial nos ônibus por mais de um ano.

Joseph E. Lowery foi fundamental para o sucesso do boicote. Por causa do tremendo impacto causado não somente na cidade, mas no país como um todo, a Suprema Corte pôs fim a segregação racial dentro dos ônibus depois dela ter sido considerada inconstitucional pela Corte estadual, mas contestada pela companhia municipal de ônibus. A Corte Suprema afirmou então que a segregação racial feria o artigo 14 da Constituição da cláusula de igualdade. Esta decisão reverteu sua própria decisão de 1896 quando afirmou que a segregação racial era sim constitucional.

Joseph E. Lowery recebendo a medalha presidencial da Liberdade em 2006./AP

David J. Garrow, autor do explêndido livro “Bearing the Cross: Martin Luther King, Jr. And The Southern Christian Conference”, disse numa entrevista em 2010 que o senhor Lowery era o “sobrevivente mais importante” do movimento e “a ligação humana e simbólica conectando lá trás”.

Em 2006 durante a eulogia de Coretta Scott King, a viúva do doutor King, Joseph E. Lowery acusou o então presidente George W. Bush presente na cerimônia de estar mais preocupado em atacar o Iraque do que atacar os problemas que afligiam a comunidade afroamericana.

No mesmo ano ele foi agraciado pelo então presidente Barack Obama com a honrosa medalha presidencial da Liberdade. O senhor Lowery tinha um astuto senso de humor segundo seus amigos mais íntimos. Ele reclamou que depois da missa de inauguração do presidente Barack Obama não conseguiu passar na igreja a cesta para a coleta de oferenda.

Numa outra ocasião ele brincou dizendo que desejaria que o aniversário do doutor King fosse num mês mais quente do que o mês de Janeiro, já que parecia que ele era sempre convidado para falar durante a temperatura fria do inverno.

Numa entrevista com o periódico “The Philadelphia Inquirer” na época de sua aposentadoria como presidente da “SCLC” em 1997, o senhor Lowery disse que conseguiu ter sucesso na sua meta principal: Isto é manter a organização do senhor King como “uma voz profética gritando numa região selvagem”./NYT