CLOTILDA – UMA EMBARCAÇÃO DO HORROR.

Clotilda Ship

Destroços do tumbeiro Clotilda

Felice Harris, professora do jardim da infância, nasceu no Sul dos Estados Unidos; mais precisamente no estado do Alabama. Ela cresceu num local conhecido como “Africa town”(Cidade Africana).

Assim como a professora, muita gente cresceu neste mesmo local ouvindo histórias sobre o último navio negreiro que desembarcou nos EUA no século XIX. Segundo a história passada de geração a geração, este último grupo de escravos construiu sua própria comunidde assim que acabou a sangrenta Guerra Civil.

Felice Harris sabe de cor as histórias deste último negreiro e seus passageiros porque elas foram amplamente divulgada por  historiadores. Felice Harris sempre fez questão de ensinar esta importante parte da história dos Estados Unidos a seus pequenos alunos.

Ocasionalmente a professora se pega pensando o quanto desta história é verdadeira e o quanto ela é apenas mito porque segundo parte da historia, o tumbeiro pegou fogo e afundou nas águas locais.

Para a surpresa de muita gente, um grupo de pesquisadores confirmou que os destroços submersos ancorado na lama a algumas milhas do rio Mobile e do assentamento da cidade Africana é com quase toda certeza o navio Clotilda que transportou 110 africanos escravizados os quais foram raptados do que é conhecido hoje como o Benin.

Historiadores louvaram esta preciosa descoberta como uma peça fundamental na história da América. “Agora é como deixar a gente saber que a história do navio é real,” disse a senhora Harris bastante emocionada.

A dilapidada comunidade já esta fazendo planos se os destroços do navio forem realmente tirados do lodo. Os restos do navio são não somente a conexão com o passado, mas a chave do futuro, onde turistas poderão visitar a comunidade.

A história da última viagem do Clotilde começou com numa plantação no Alabama e o dono de uma embarcação chamado Timothy Meaher. Com as tensões entre o Norte e o Sul chegando a um ponto de ebulição antes do início da Guerra Civil, o senhor Meaher apostou que ele poderia trazer africanos escravizados para o centro da plantação de algodão apesar do governo Federal ter proibido a importação de africanos desde 1808.

Esta aposta foi derivada de um argumento entre os passageiro de uma embarcação e o senhor Meaher discutindo se ainda era possível trazer africanos escravizados para o sul dos Estados Unidos.

As apostas eram altas porque tais contrabandos eram sujeitos a enforcamento. Para evitar prisão, o capitão da embarcação, William Foster, colocou fogo no naviou e o afundou assim que a carga humana foi retirada.

Os cativos eram pessoas de diferentes culturas que falavam línguas distintas. Eles aguentaram uma viagem de mais de 40 dias, durante os quais ficaram desnudos sobrevivendo com uma parca alimentação e goles de água, de acordo com “Dream of Africa in Alabama”(Sonhos da Africa no Alabama), um livro sobre o assunto escrito pela historiadora Sylviane Anna Douf. Alguns dos cativos foram vendidos e o senhor Meaher ficou com 60 deles.

Dreams of Africa in Alabama

Sonhos da África no Alabama

Eles estavam num país onde havia uma população escravizada de quase 4 milhões de escravizados acordo com o censo de 1860. Somente no estado do Alabama havia mais de 400 mil. A mão de obra gratís que eles proviam tornaram o estado um dos mais prodigiosos na produção e comércio de algodão no sul onde muitos produtores viam a escravidão como algo  que não deveria ser contestado. A escravidão devera ser discutida pelos estados individualmente sem a interferencia do governo Federal.

 

Com a deterioração econômica local em recentes décadas, cidade Africana tornou-se quase um cidade deserta. A população atual gira em torno de apenas 2 mil residentes. Muitos dos escravizados deixados na praia pelo senhor Foster tinham esperança de voltarem para a Africa depois do final da Guerra Civil. Porém, seus planos não deram certo e eles acabaram ficando presos no local. Por este motivo acabaram estabelecendo a cidade Africana, sua própria colonia americana em 1866 ou 1868.

Cleon Jones, um famoso jogador de beisebol que cresceu no local lembra dos seus tempos na escola quando os meninos brancos zombavam dele mandando ele voltar para a África. Minha reação sempre era, “me levem de volta! Voces me trouxeram aqui.”

Decendents of Clotilda

Descendentes do tumbeiro Clotilda

Joycelyn Davis faz parte da sexta geração de descendentes direta de um dos sobreviventes do Clotilda chamado Charlie Lewis. Durante anos, ela disse que não tinha vontade de celebrar a história de sua família. “Quem quer saber que voce foi trazido em cima de uma aposta?”, ela disse.

Com o passar dos anos, Joycelyn Davis leu sobre seu passado e o que seus descendentes que sobreviveram o Clotilda conseguiram. “Prosperando e se esforçando e conolizando e construindo seus lares com muito menos”, ela disse. Sabendo sobre esta história ajudou a construir meu senso de orgulho. Aquela vergonha diminuiu a praticamente nada.”

Com toda discussão em volta não somente da embarcação e o que ela representa, mas para onde deveria ser seu destino final, a historiadora Diofi disse em entrevista  que o próximo capítulo do Clotilda não será encerrado por anos. “Mas esperançosamente esta infame embarcação trairá algo de bom para a comunidade”, ela disse.

Esta é a única esperança porque o navio mesmo e um tumbeiro do horror./NYT

MÚSICA JAZZ – O SAXOFONE EXCEPCIONAL DE J.D. ALLEN

O saxofonista J. D. Allen se considera um afroamericano sortudo. Aos 46 anos está em plena forma musical para o delírio dos seus inúmeros fãns. Recentemente ele foi matéria bastante elogiosa no caderno cultural do periódico The New York Times.

J. D. Allen nasceu na cidade de Detroit em 1972. Segundo suas próprias palavras, ele é fruto de um relacionamento altamente explosivo entre sua mãe e seu pai. Segundo ainda nos informa em entrevista para o periódico, seu pai era bastante abusivo fisicamente, inclusive servindo pena na prisão por causa de um assalto a banco. Tudo isto foi testemunhado pelo pré adolescente de apenas 12 anos de idade.

Por causa do clima tenso entre ele, sua mãe e o namorado dela, o jovem foi despachado para casa dos avós. De acordo com ele, isto acabou sendo uma virada positiva na sua vida. Nesta mesma época foi aceito numa importante escola de ensino médio. “Se  não tivesse sido encorajado a pegar num saxofone”, disse Allen, “ao invés poderia ter sido um revólver”.

Sua grande oportunidade como saxofonista aconteceu no início dos anos 90 quando a grande vocalista de Jazz Betty Carter o contratou, mas ele acabou vagando dentro e fora de Nova York durante vários anos consumindo bebidas e depois drogas pesadas. Foi somente a partir de 2006 quando finalmente conseguiu formar seu próprio trio que as coisas tomaram um rumo diferente.

Com mais de 10 álbuns de Jazz sob o seu comando, J. D. Allen aproveitou a entrevista para falar um pouco do seu mais novo trabalho profissional, o álbum “Barracoon”. O nome foi tirado do livro final com o mesmo nome da escritora Zora Neale Hurston. O livro dado como perdido. Ele foi escrito no final dos anos de 1920s e conta a história oral de Kossula (também conhecido como Cujdo Lewis) que estava entre as últimas pessoas sobreviventes na travessia forçada no Atlântico antes que o tráfico de escravos fosse abolido nos Estado Unidos.

Faz bastante sentido que o saxofonista lançasse seu álbum celebrando a vida de Kossula, particularmente no aniversário de 400 anos da chegada do primeiro tumbeiro forrado de africanos escravizados na terras da América inglêsa. O senhor J. D. Allen ainda sente a necessidade de afirmar seu direito não somente de existir, mas de ser reconhecido.

“E por que isto é importante para mim? Porque quando eu não tocava, eu nao existia,” disse ele. “Até hoje posso caminhar entre pessoas que conheço há anos e se eles não me veem com o saxofone, eles não sabem quem eu sou.”

Últimamente seu grande desejo e deixar sua marca no planeta. É contar sua história através da música. “Quero apenas dizer que existo, cara,” ele eventualmente disse. “Estive aqui. Este é o J. D. Allen, esteve aqui na parede. Isto é o que todos estes álbuns são.”/NYT