ELEIÇÃO NA AMÉRICA DO NORTE.

Eleição norte americana de 2020

Os Estados Unidos votaram para presidente e também para alguns outros cargos políticos imporantes no último dia 3 de Novembro. Era de conhecimento geral que a eleição mais importante seria para presidente, e que os dois principais candidatos disputando o pleito tinham idéias e visões políticas totalmente diferentes.

Se de um lado o candidato Democrata Joe Biden acenava com uma volta a normalidade política e de um mútuo respeito entre os dois principais grupos polticos no país, juntamente com um reingresso dos Estados Unidos a comunidade internacional, principalmente uma reaproximação aos seus antigos aliados da Europa Ocidental, e usando como trunfo durante sua campanha política o seu carácter, sua ética e sua moral, do outro lado o atual presidente Donald Trump buscava nesta sua reeleição não uma maneira mais conciliatória de fazer política ou ser mais tolerante com seus adversários políticos, pelo contrário, sua aposta era de mais enfrentamento, mais demagogia e muito mais mentiras.

Tudo isso sem o menor pudor ou constrangimento. O objetivo do presidente afinal era retornar por mais 4 anos a Casa Branca. Para seus milhares de devotos, não importava que suas mensagens na plataforma Twitter fossem desbancadas e desmentidas pela gigante do mundo virtual. Assim como o larápio Jim Jones na Guiana inglesa em 1978 pediu aos seus devotos que tomassem veneno e se suicidassem, Donald Trump segue pedindo aos seus devotos que não acreditem no resultado final da eleição. Segundo ele próprio afirma, esta eleição foi fraudulenta.

Conservadores como a ex assessora do presidente George W. Bush, Condoleezza Rice, que já mandou uma mensagem pelo Twitter parabenizando Joe Biden e Kamala Harris pela vitória, disse em entrevista ao periódico The Wall Street Journal: Os apoiadores de Trump sentem que o presidente não teve nenhuma chance. “Eu penso que nós temos que respirar fundo. Mais de 70 milhões de pessoas votaram para o presidente Trump, e alguma garantia através do processso que isto foi feito corretamente não é uma má coisa”.

Campanha eleitoral 2020 nos EUA.

Dos mais de 140 milhões de eleitores que foram as urnas ou que enviaram seus votos pelo correio, a maioria decidiu então pelo candidato com uma vasta experiência política em Washington. Segundo a mídia local, Joe Biden, o candidato Democrata ganhou no voto popular bem como no número suficiente de delegados especiais que o catapultaria para assumir o comando do país em Janeiro de 2021. Porém, Donald Trump contrariando todas as evidências se recusa literalmente a aceitar o resutado das urnas. O triste é que políticos no partido republicano aceitam esta grande mentira sem questionar a validade do que o presidente esta dizendo.

Mais de 10 dias após a eleição, o que tem acontecido nos Estados Unidos é uma enxurrada de meias verdades envolvendo fraudes no processo eleitoral do país. Estas mentiras infelizmente estão sendo propagadas não por eleitores insatisfeitos com o resultado final da eleição, mas pelo próprio presidente que não admite sua derrota nas urnas. Várias cortes estaduais onde o presidente, assessorado pelo advogado e ex prefeito de Nova York, o senhor Rudolph Giuliani, afirmando que houve uma grande fraude eleitoral, já jogaram pelas janelas suas tentativas de entrar com algum tipo de processo para uma possível anulação desta eleição.

Os Estados Unidos sempre foram considerados como o grande experimento democrático humano do planeta. Sua Democracia durante mais de dois séculos tem sido invejada por milhões de pessoas ao redor do planeta. Entretanto, o que tem acontecido no país desde que foram encerradas as contagens de votos mostra que toda aquela aparência de lisura e comportamento íntegro não passava de uma grande ilusão. A América juntou-se ao grupo daqueles países que a voz dos eleitores não deve mais ser respeitada ou ouvida.

O que mundo está testemunhando é a mais pura ambição e egoísmo de um neo facista de plantão.

A ESCALADA ÍNGREME NO MUNDO CORPORATIVO NA AMÉRICA

Se a vida corporativa na América é uma montanha para ser escalada, para os afroamericanos, ela é certamente feita carregando um pesado saco de cimento nas costas. Dos CEOs (Presidente de Diretoria) das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, apenas 1%(um) são pessoas negras. Ou seja, deste enorme grupo somente 4 CEOs são negros. Abaixo deste restrito grupo os dados não são muito animadores para as pessoas negras dentro do mundo corporativo no país.

De acordo com dados compilados pelo importante periódico econômico, The Wall Street Journal (WSJ), através da Comissão de Oportunidade Igual de Emprego (CEEOC em inglês), das empresas com mais de 100 empregados, somente 3% (três) dos executivos ou gerentes de alto nível são pessoas afromericanas.

Quase 60 anos depois do movimento que culminou com as leis dos direitos civis, praticamente banindo qualquer tipo de discriminação no setor privado, o progresso para altos executivos e cargos um pouco abaixo atingiu seu limite máximo. “Oportunidade não é igualmente distribuida”, disse Ron Williams, um ex CEO da poderosa seguradora AETNA. No momento ele faz parte das diretorias da companhia Boeing e American Express respectivamente.

Uma das razões para esta pouca ascensão negra no mundo corporativo segundo o senhor Williams, é que muitas das oportunidades de ascensão acontecem internamente. Ou seja, “estas oportunidades não são postadas nos boletins de recrutamento fora das companhias e isso faz com que os afroamericanos fiquem de fora destas chances”. “As pessoas não tem a oportunidade de galgar posições superiores onde elas teriam uma chance de candidatarem-se a uma posição de prestígio e comando”, disse ele.

Os CEOs, os Headhunters e os gerentes seniors dizem ainda que profissionais negros enfrentam maiores obstáculos cedo em suas carreiras. Eles são vistos mais criticamente do que seus colegas e frequentemente carecem de relacionamentos importantes dentro das empresas que trabalham, o que é tido como fundamental para seus avanços no mundo corporativo.

Centenas de companhias focam simplemente na diversidade na hora de contratar. Entretanto, deixam de lado a manutenção destes funcionários e seus avanços nas suas carreiras profissinal, dizem os estudiosos e os executivos. Enquanto as companhias gastam bilhões de dolares em programas sobre a importância da diversidade, este dinheiro tem sido depositado em programas com resultados não muito satisfatórios, mostrando pouca ou quase nenhuma efetividade concreta.

Ron Williams um alto executivo que faz parte das diretorias da Boeing e American Express.

Os executivos entrevistados no artigo do Wall Street Journal citam benefícios onde há mentores dentro das empresas e onde os lideres estão pessoalmente envolvidos neste tema, especificamente os CEOs.

A ascensão dos executivos afroamericanos tem se mantido baixa, mesmo enquanto outras minorias étnicas tem visto um grande, embora ainda limitado progresso. Entre os CEOs das 500 maiores empresas, 11% (onze) são minorias étnicas. Deste total, 3% (três) são latinos, 3% (três) são indianos, 2% (dois) são asiáticos, e 1%(um) são do Oriente Médio e 1% (um) se consideram multiracial. Somente 1% (um) são negros, de acordo com uma análise feita pela companhia MyLogIQ, especializada em mapear executivos. A população atual dos EUA é composta por 13% de afroamericanos.

Ron Williams disse que é muito dificil apontar como problema o racismo especificamente. Entretano, desde que subiu ao posto de executivo sempre buscou respostas sobre como chegar ao posto máximo de uma empresa. Por causa das respostas evasivas que sempre recebia, ele resolveu deixar a companhia Wellpoint Health Networks depois de 14 anos. Em 5 anos foi promovido a CEO da seguradora AETNA. “Voce nunca sabe definitivamente que é a sua etnia”, disse ele.

Empregados negros estão ausentes nas cadeias de talentos que alimentam para as posições como CEOs. Em Abril deste ano, um relatório da escola de pós graduação da Universidade Stanford concluiu que empresas que entram na classificação da revista Fortune e que são consideradas como parcerias públicas/privadas, os executivos negros constituem somente 3%(três) naquelas posições de alto prestígio envolvendo lucros e perdas, onde o famoso terno C-suite é comum, e onde se encontram as posições chaves para o sucesso das companhias, e são vistos frequentemente como os pré requisitos para alcançar o topo da hierarquia corporativa.

Um estudo realizado em 2017 examinando a taxa de chamadas de volta de uma pessoa afroamericana buscando emprego descobriu níveis de discriminação que não melhoraram nos últimos 25 anos.

“Voce está revisando seu curriculum vitae tendo de dizer as pessoas, porque voce está aqui, porque alguns assumem que voce esta nesta posição, porque alguem marcou o X da diversidade”, disse Telisa Yance, CEO da seguradora American Family.

Um dos grandes desafios para os executivos que chegam ao topo da hierarquia corporativa é a falta de mentores no meio do caminho para explicar como o mundo rarefeito dos CEOs realmente funciona.

Algumas companhias que nomearam CEOs afroamericanos tiveram ganhos na diversidade. Desde que Marvin Elisson assumiu como CEO da companhia de materiais de construção e aparelhos domésticos LOWE’S em 2018, ele adicionou nove executivos afroamericanos no nível da vice presidência ou mais alto elevando o total para 17.

Pesquisa feita pela Mckinsey mostra que quando as pessoas dizem que suas companhias são diversificadas, elas são mais propensas a sentirem-se incluídas, em contraste com colegas nas organizações sem uma liderança diversificada.

Marvin Ellison CEO da companhia de materiais de construção LOWE’S

Ursula Burns ex CEO da corporação XEROX é a primeira mulher negra a assumir o comando de uma das 500 companhias que fazem parte da Fortune 500. Ela disse que teve sorte por começar sua carreira num local como a XEROX, uma das pioneiras na área da diversidade. Depois dos distúrbios raciais dos anos de 1960 na cidade de Rochester em Nova York, onde a companhia estava localizada, a XEROX contratou um grande número de afroamericanos executivos que Ursula Burns credita ajudou imensamente uma cultura de inclusão.

“Entrei num navio que já estava em movimento”, disse ela, que entrou para a compania em 1980. Ursula Burns disse ainda que sua carreira foi ajudada pelo fato de que logo de início ela trabalhou como assistente executiva de Wyland Hicks, então vice presidente executivo, e depois com Paul Allaire, o CEO da XEROX.

Este papéis a ajudaram a fomentar sua visibilidade na companhia. Hoje em dia ela faz parte das diretorias da Exon Mobile, Nestlé S.A e UBER Technologies Inc. Ursula Burnas ajudou a lançar o programa “Board Diversity Action Alliance” (Aliança de Ação da Diretoria de Diversidade – trad. livre)

Muitas companhias focam na diversidade quando é para contratar, mas não para a promoção. Uma pesquisa feita em 2018 pela companhia de pesquisas de mercado 14CP, descobriu que enquanto 78% das 245 empresas dirigidas trimestralmente monitorizam diversidade entre os novos contratados, somente 50% delas disseram que o fizeram por causa do sucesso profissional deste novos funcionários./WSJ