ESTANTE LITERÁRIA – TEATRO APOLLO AOS 85 ANOS.

showtime at the apollo

Numa noite fria de inverno em Janeiro de 1934, o legendário teatro Apollo, encubador de talentos como James Brown, the Jackson Five e Dionne Warick, e um sem número de cantores, dançarinos e comediantes, abriu suas portas no coração do bairro do Harlem em Nova York. O show de abertura se chamava “Jazz à la Carte”.

O belo livro gráfico “Showtime at the Apollo: The Epic Tale of Harlem’s Legendary Theater” foi adaptado para o estilo história gráfica por Ted Fox com ilustrações de James Otis Smth do seu próprio livro de 1983 com o mesmo título. O livro gráfico é uma bela homenagem ao teatro que este ano está comemorando 85 anos de existência e com muitas histórias dentro e fora do seu famoso palco. O teatro Apollo foi testemunha de vários eventos envolvendo não sómente os famosos artistas, mas também o próprio bairro.

O primeiro episódio fora do palco aconteceu exatamente um anos depois da inauguração do teatro. O bairro do Harlem foi palco de um enorme distúrbio urbano envolvendo mais de 3000 pessoas por causa do espancamento de um jovem negro por vendedores dentro da loja de departamentos S.H. Kress & Co. De acordo com reportagem da época do periódico The New York Times, o teatro foi poupado de qualquer estrago físico.

“Showtime” começa bem antes da inauguração. Na época um outro clube famoso era o destaque cultural do bairro. O Cotton Club com sua lista de grande músicos de Jazz, entre eles Cab Calloway e Duke Ellington era frequentado pela clientela endinheirada branca. Clientes negros eram barrados no porta.

duke ellington at the apollo

Teatro Apollo no coração do bairro do Harlem/NY

O livro se equilibra entre a dura realidade da população negra do bairro e a magia dos exepcionais artistas se apresetando no palco. Há de tudo um pouco nesta magnífica história. Há roubos, drogas, brigas, mortes e distúrbios raciais. Porém, o teatro de uma maneira ou de outra sempre saiu ileso.

Outro episódio importante envolvendo o teatro aconteceu em 1973 durante a apresentação do cantor Smokey Robinson envolvendo tiros. Entre os disturbios, tiros e muita droga os artistas continuavam se apresentando mostrando não apenas seus talentos, mas também a resiliência da comunidade afroamericana.

james brown at the apollo

Tributo ao cantor James Brown

Um importante e histórico destaque fica por conta da gravação ao vivo de um albúm do cantor James Brown que ficou nas paradas de sucesso da época por mais de um ano. Um outro destalhe bacana no livro foi o concerto do icônico cantor George Clinton que optou em apresentar-se no teatro Apollo ao invés de ir para ginásio de esportes Madison Square Garden.

Durante seus 85 anos o teatro Apollo enfrentou diversas dificuldades financeiras. Por várias vezes esteve até mesmo a ponto de ser demolido. Em 1979 foi fechado por causa de evasão fiscal.

Em 1981 começou sua gloriosa renovação. Dois anos depois o teatro foi considerado pela cidade de Nova York como um marco histórico cultural. Durante mais de 20 anos foi palco de inúmeras disputas para saber qual o modelo gestor que melhor seria utilizado para manter o teatro em funcionamento.

michael jackson at the apollo

Tributo ao cantor Michael Jackson

No início dos anos 2000 milhares de fãs se aglomeram dentro e fora do teatro para prestarem suas últimas homenagens a dois ídolos. O primeiro deles James Brown, falecido em 2006. Três anos depois o teatro ficou de luto mais uma vez por causa da morte do rei do pop Michael Jackson.

“Showtime” termina com o reconhecimento a Francis Thomas, também conhecido como “Doll”(boneca) ou Mr. Apollo (senhor Apollo). Ele foi um veterano no “show business”. Francis Thomas foi gerente do teatro, bem como, um faz de tudo um pouco. É ele quem puxa a cortina da famosa “Quarta-feira noite amadora” que começou com a inauguração do teatro e segue sendo até os dias atuais uma das principais atrações do bairro.

 

ESTANTE LITERÁRIA – A RIQUEZA DO ALGODÃO NO PODERIO ECONÔMICO DOS EUA

Cotton King

As vésperas da Guerra Civil dos EUA (1861-1865), os estados do Sul, os chamados Confederados mantinham  suas economias na base do trabalho escravo. O estado de Mississippi, por causa de sua grande produção algodoeira, era considerado a quarta região mais rica do mundo.

Cotton and Race in the Making of America é um livro sobre dinheiro e o abuso de poder. Mas é também um tour de force sobre as forças, intelectual, social, mas principalmente a econômica que transformaram os Estados Unidos numa grande potência.

A história do algodão nos Estados Unidos e o seu papel é o que poderámos chamar de um dramático conto econômico cuja fundamental importância tem sido pouco explorada tanto por especialistas como por historiadores em geral. Por causa de sua ligação direta com raça, o algodão acabou ficando de uma maneira únicamente exclusiva manchado na história dos Estado Unidos.

A produção escravista do algodão esteve intrisicamente ligada com o destino do país e por muito pouco não foi a causa da destruição da nação. Cotton and Race através de diferentes maneiras acaba sendo também sobre a intrísica conexão dos Estados Unidos ao algodão e seu estrondoso sucesso material, não importando  o custo humano ligado a ele.

O algodão estimulou o desenvolvimento econômico antes da guerra mais do que qualquer outro produto agrícola. Entre os anos de 1803 e 1937, o algodão liderou sózinho as exportações. As vésperas da Guerra Civil, o produto detinha 60 por cento de todas as exportações do país.

Esta enorme produção agrícola era tirada das mãos  e do sangue dos escravos e depois dos negros libertos. Gerações de homens, mulheres e crianças que limparam os terrenos, guiaram as mulas por entre os pés de algodão, além de colher a valiosa colheita para o mercado interno, mas principalmente para o mercado externo, produziram uma riqueza ímpar para muita gente tanto no Sul como no Norte dos Estado Unidos.

A produção do algodão na busca incessante por riqueza abraçou por completo o terreno físico, o terreno social, bem como o econômico durante todo o século XIX com a força de um monstruoso tsunami.

Gene_Dattel

O autor Gene Dattel

Os escravocratas e os escravos antes da Guerra Civil, e os fazendeiros depois junto com os meeiros, cada um a seu modo, formaram as intricadas peças no poderoso jogo financeiro.

Os estados do Norte tiveram um papel fundamental na economia algodoeira do Sul juntamente com seu desastre racial. Os estados do Norte forneceram o capital necessário para o desenvolvimento e expanção das plantações no Sul juntamente com a escravidão. A animosidade racial e a  hipocrisia tem sido um assunto menor nos estudos deste período, mas eles formaram um aspecto fundamental do Norte branco tanto antes como depois da guerra.

Este ódio racial foi um grande impedimento para a mobilidade negra – fisicamente, economicamente e intelectualmente. Qualquer exame minucioso sobre as atitudes raciais no Norte branco desde 1800 até 1930 desbancará a ilusão ou desejo infantil sobre a possibilidade de qualquer igualdade entre negros e brancos depois da Guerra Civil.

As ações dos brancos do Norte forneceram um guia perfeito para o lúgubre futuro do negro liberto. Criando com isto um ambiente hostil e excludente. O Norte ajudou a montar uma armadilha onde os negros do Sul jamais tiveram a chance de escapar.

Se a atitude do Norte tivesse sido diferente certamente 90 por cento dos negros não teriam ficado no Sul até as vésperas da 1a Grande Guerra Mundial.

Cotton and Race in the Making of America é um explêndido livro. Ele ilumina o aspecto econômico e o custo humano ligado principalmente aos escravos e depois aos libertos na criação da riqueza norte americana.

Cotton and Race in the Making of America

Editora – Ivan R. Dee

Páginas – 416

US$ – 24.66