A GAZELA DE SAN QUENTIN

Markelle Taylor na maratona de Boston/MA

Uma das maratonas mais famosas do mundo é a de Boston no estado de Massachusets. Esta é a única maratona nos Estados Unidos que obriga seus participantes a passarem primeiro por uma prova de classificação por tempo, o que é aplicada diferentemente de acordo com faixa etária do maratonista.

Um dos ilustres participantes na maratona de 2019 foi o corredor Markelle Taylor de 46 anos. Diferentemente de outros maratonistas, ele treinou para esta e outras corridas dentro da famosa prisão de San Quentin no estado da Califórnia.

Aos 27 anos Markelle Taylor foi condenado por espancar sua namorada grávida. Este espancamento causou a morte prematura do bebê que ela carregava. Ele foi julgado e condenado por homicídio culposo. Foram 17 anos vivendo cercado por arames farpados e guaritas onde os guardas monitoravam toda a penitenciária e estavam sempre a postos para usarem suas metralhadoras em caso de tentativa de fuga de algum prisioneiro.

Em liberdade condicional desde do começo de 2019, o senhor Taylor atualmente divide um quarto num apartamento com mais três pessoas. Ele conseguiu um trabalho depois da prisão carregando e descarregando caminhões, além de manejar equipamentos pesados.

Markelle Taylor é o que poderíamos classificar como o produto de uma família abusiva. Quando criança ele apanhava frequentemente do seu avô. “Ele tinha as mãos tão grandes que mais pareciam aquelas enormes luvas de beisebol”, lembra Markelle.

Além dos espancamentos constantes, ele foi molestado sexualmente por uma parenta da família. Em várias ocasiões seu padrasto usou o fio de ferro para castigá-lo, deixando marcas no seu corpo e naturalmente na psique do menino. Durante anos ele foi obrigado a viver em lares adotivos.

Markelle Taylor participando da maratona em Boston/MA

Estrela do atletismo na escola média, Markelle Taylor chegou a frequentar a faculdade, mas não consegiu graduar. Ele tem prática como enfermeiro e durante vários anos trabalhou nesta área. “Correr é uma forma de liberdade”, ele explicou. “É uma maneira de me manter focado.”

Segundo Taylor, uma das “vantagens” em estar preso numa penitenciária mais progressitas é a oportunidade fazer vários cursos. Além de ter estudado teatro, ele participou de cursos relacionados a violência doméstica. Classe que ainda é obrigado a participar na sua condicional. Ele também reconectou com sua religião, Testemunha de Jeová.

Depois de quase duas décadas encarcerado, correr para Markelle Taylor é quase como uma terapia, ajudando-o a manter-se focado e no caminho certo.” Reenergiza meu coração e mente. Os aspectos físico e mental estão conectados aos desafios da minha vida e as diferentes adversidades que encontramos. Me mantém simples”, ele disse.

O senhor Taylor tem um importante mentor neste contexto. É o senhor Frank Rucona, o treinador dos corredores dentro da prisão de Sant Quentin. Ele é um ex oficial do Exército que já participou de 78 maratonas e 38 super maratonas. Sendo inclusive uma figura altamente reverenciada em San Quentin. Ele é também um ex presidente do grupo de corredores onde o senhor Taylor corre.

Antes de participar na maratona de Boston, Merkelle Taylor disse que estava representando todos aqueles que cumprem prisão perpétua (life em inglês) na Califórnia. Ele passou de prisioneiro a corredor. Markelle, Taylor, USA número 29739.

O mundo livre, como é geralmente chamado por aqueles que estão cumprindo prisão perpétua pode ser uma perigosa armadilha onde costuma ser difícil resistir as tentações para tentar recuperar o tempo perdido a todo custo, levando geralmente as más decisões tanto na área pessoal como no quesito financeiro.

Markelle Taylor vê agora a vida fora da prisão diferente. “A prisão melhorou minha vida. Me tornou uma pessoa melhor. Uma sentença perpétua faz com que voce acorde”./NYT

A ACIRRADA DISPUTA ELEITORAL NOS EUA.

Joe Biden e o presidente Donald J. Trump no primeiro debate em Cleveland.

Após o primeiro debate presidencial entre o presidente em exercício, Donald J. Trump, e o candidado democrata Joe Biden, uma coisa ficou clara para os milhões de telespectadores ao redor do mundo que testemunharam as trocas de insultos. O atual presidente do EUA demonstrou toda sua inabilidade em convencer o eleitor indeciso no país porque ele deveria continuar mais 4 anos a frente da Casa Branca.

Agindo como se fosse um enorme touro preso num estábulo, Donald Trump saiu em disparada como se o seu microfone fosse um chifre apontado para o fígado do oponente democrata tentando sangrá-lo o mais rápido possível.

Interrompendo constantemente o calmo, mas as vezes impaciente Joe Biden, Donald J. Trump mostrou seu lado ditatorial como se ele fosse o presidente de uma destas republiquetas de quinta categoria. Várias vezes ele foi admoestado pelo paciente moderador Chris Wallace da rede de televisão Fox News.

Os EUA costumam enviar representantes ao redor do planeta para monitorar eleições tal o grau de lisura de suas eleições interna. Entretanto, para o presidente norte-americano, qualquer resultado que não o satisfaça por completo, ou seja, que o mantenha na Casa Branca terá sido fraudulento. A todo momento ele falava flagrantes mentiras sobre a lisura da votação em Novembro.

Donald Trump não defende princípios conservadores como por exemplo, um menor envolvimento do Estado na vida dos cidadãos, um justo comércio entre os países ou até mesmo a liberdade de imprensa. Ele defende os interesses mesquinhos de Donald J. Trump.

Desde que ganhou a nomeação pelo partido Republicano para disputar a presidência e depois sua surpreendente vitória em 2016, o presidente tem disseminado um descrédito sem precedentes as instituições democráticas dos EUA, o Congresso, a Suprema Corte, o Exército, etc.

O ápice de sua ineptude como presidente foi demonstrado nestes últimos 9 meses durante a pandêmia do coronavirus. De acordo com recentes áudios veiculados pela mídia em geral, Donald J. Trump estava a par da gravidade do virús desde Fevereiro. Porém, por capricho político ele escondeu estas vitais informações da população. Sua desculpa esfarrapada quando questionado foi dizer que não queria deixar a população em pânico. Os EUA já contabilizaram mais de 200 mil mortes relacionadas ao COVID-19.

O presidente gosta de dizer que durante sua gestão a economia estava bastante aquecida até a chegada do virus. O nível de desemprego estava abaixo dos 4%, uma média histórica no país. Porém, o que ele costuma esconder do público em geral é que os ganhos da sua política macro econômica geralmente favorecem uma pequena elite representada hoje em dia pelas gigantes do setor financeiro juntamente como as gigantes na área da tecnologia.

Joe Biden, o presidente Donald J. Trump e o moderador Chris Wallace.

Durante o caloroso e em muitos momentos indiciplinado debate, o presidente perdeu mais uma oportunidade em condenar os supremacistas brancos. Principalmente o grupo conhecido como “The Proud Boys” (Os Rapazes Orgulhosos). Ao ser questionado pelo moderador Chris Wallace, se ele condenava o grupo, Donald J. Trump relutantemente respondeu: “Hey, rapazes, fiquem de lado. Fiquem a postos”.

Com a chance de nomear um terceiro juiz conservador para a Suprema Corte (os outros dois foram Brett Kavanaugh e Neil Gorsuch), Donald J. Trump quer com isto revogar de uma vez por todas o popular progama de saúde nacional conhecido como “Obamacare”, iniciativa do ex presidente Barack Obama, ratificado depois pela Suprema Corte. O presidente pretende ainda revogar o direito constitucional da mulher norte-americana em abortar uma gravidez indesejada.

Para o brilhante jornalista e colunista do periódico The New York Times, o senhor Thomas L. Friedman, Donald J. Trump é sem duvida alguma o presidente mais desonesto, perigoso, espírito ruim, divisivo e pessoa corrupta a ocupar a Casa Branca. Para o jornalista, o triste é observar como os republicanos que num passado não muito distante votaram em políticos conservadores como Ronald Reagan, George W. H. Bush e George Bush se alinharam agora atrás de uma pessoa como Donald J. Trump.

Thomas L. Friedman disse ainda que 4 anos mais da política do presidente em dividir para conquistar rasgará o país ao meio. A democracia norte-americana está sendo testada mais uma vez. Resta saber agora se ela é forte o suficiente para atravessar ilesa este período bastante caótico./NYT