A ARTE GRÁFICA DE MILTON GLASER

I LOVE NY LOGO

Icônico logo desenhado pelo artista nos anos 70

Milton Glaser é sem dúvida alguma um dos artistas gráficos mais reconhecidos em Nova York. Nascido no bairro do Bronx em 1929, ele ainda pode ser visto diáriamente no seu pequeno estúdio em Manhattan.

Em 1977 o artista ganhou sucesso mundial quando Nova York mergulhada numa crise econômica sem precedentes e que se arrastava a anos buscava uma idéia original para atrair os turistas que evitavam a cidade como se ela fosse um praga bubônica. Milton Glaser foi comissionado para criar um slogan para a cidade. Ele teve a idéia genial de colocar o desenho de coração vermelho substituindo a palavra amor na frase “I LOVE NEW YORK”. Hoje o desenho de um coração simbolizando amor pode ser encontrado em qualquer parte do planeta.

De acordo com artigo publicado no periódico “The New York Times”, Milton Glaser começou a trabalhar em 1954 e já produziu aproximadamente 3 mil desenhos para produtos de consumo, restaurantes, capas de livros, revistas e muito mais.

 

Todo o seu enorme arquivo artístico pode ser pesquisado na Escola Visual de Artes em Nova York, onde ele lecionou por quase 60 anos até aposentar-se em 2007.

Nenhuma das imagens começa com um plano premeditado, disse o senhor Glaser numa entrevista no seu estúdio em Manhattan onde aos 90 anos costuma bater cartão todos os dias. Ele diz que a finalidade aparece no processo de criação.

MADMEN

Poster para a série de televisão MADMEN

“Arte é construir coisas – particularmente construir coisas – elas são essenciais para nossa salvação”, disse ele. ” Venho trabalhar todos os dias porque sou capaz de pegar algo que existe na minha mente e torná-lo algo físico.”

“Se é bom ou ruim ou arte é irrelevante. Porém, o ato de fazê-lo tem mantindo minha mente intacta”. Sempre disse que “aposentadoria é esta conspiração horrível que impede as pessoas de estarem vivas. Meu Deus quem inventou isso?”

O que ele quer que as pessoas tirem dos seus desenhos, ele disse, é uma simples mensagem sobre a vida: “Que fazer coisas te mantém vivo”.

Para Milton Glaser estar vivo é fazer coisas.

 

 

ESTANTE LITERÁRIA – O BAIRRO DO BROOKLYN EM NY E SUA EXPLÊNDIDA TRANSFORMAÇÃO ECONÔMICA E CULTURAL.

Brooklyn book

 

Ao contrário do que diz a lenda urbana que mostra Nova York como um porto seguro para os negros escravizados fugindo das amarras perversas da escravidão; princpalmente no Sul dos Estados Unidos, “a escravidão era uma parte essencial da vida e economia de Nova York durante os séculos XVI e XVII”, disse o o nativo do Brooklyn e também professor universitário, Thomas J. Campanella, autor do elogiado livro sobre o bairro: “Brooklyn – The Once And Future City”.

“Quando pensamos sobre o bairro do Brooklyn, a primeira coisa que geralmente vem a nossa mente é o rapper Jay-Z ou a famosa arena de esportes chamada Barclays Center”, disse o autor recentemente durante o lançamento do livro.

De acordo com Campanella, a história do Brooklyn começa juntamente com a história dos Estados Unidos quando os primeiros peregrinos desembarcam no famoso local conhecido como “Plymouth Rock” (Rocha Plymouth em inglês) no estado de Massachussetts por volta de 1609.

Thomas J. Campanella

O autor Thomas J. Campanella numa das ruas no bairro do Brooklyn/NY.

Para o autor, o apogeu do bairro aconteceu durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Por causa do seu  estaleiro, o Brooklyn acabou sendo tranformado na época na maior base do país. Em decorrência das rápidas mudanças acontecendo no Estados Unidos, especialmente durante os anos de 1955 e 1970, o bairro foi perdendo espaço para outras áreas da cidade principalmente os afluentes e endienharados subúrbios.

Em 1955 o mais importante e influencial jornal do bairro, o famoso “Brooklyn Eagle” cessou suas operações no bairro. O “Brooklyn Dodgers”, o famoso time de beisebol fez seu último jogo no estádio “Ebbets” em 1964 antes de mudar-se para Los Angeles. Entretanto, o prego final no caixão econômico e cultural foi pregado com o fechamento do estaleiro e do parque de diversão “Steeple Chase”.

Quando a década de 70 chegou as coisas não melhoraram muito. No meio da década o Brooklyn estava literalmente de joelhos. O governo federal se recusava a dar qualquer ajuda financeira a Nova York.

A criminalidade era rampante no Brooklyn. O fracasso dos projetos públicos de habitação ajudaram a transformar o bairro num moderno gueto. A profundeza da sua queda faz com que a atual revitalização do bairro se mostrasse bastante impressionante.

“O Brooklyn tornou-se um produto e uma marca”, escreve Campanella no seu magnífico livro. “Esta marca agora espalhou-se pelo mundo”./AMNY

Título – “Brooklyn: The Once And Future City”

Autor – Thomas J. Campanella

Editora – Princeton University

Páginas: 552

Preço – US$31.50