ESTANTE LITERÁRIA – OS MUTANTES

Discobiografia Mutante

O grande lançamento literário de 2018 no Brasil ficou por conta do livro Discobiografia Mutante da multi-talentosa Chris Fuscaldo. Poderíamos até dizer que o livro é resultado de  uma obsessão da jornalista/cantora/escritora que começou quando ela com apenas 4 anos de idade foi “picada” pelo som da banda no início dos anos 1980.

Baseado na sua monografia de estudante da faculdade, Discobiografia Mutante expande com muito mais informações, histórias e muitas fotos. “Escrever um livro sobre uma banda cujo auge aconteceu há mais de 40 anos não é uma tarefa fácil”, disse Chris recentemente em sua passagem por Nova York para o lançamento do livro.

Os Mutantes foi a versão brasileira do que estava acontecendo em relação a música Rock & Roll, principalmente nos Estados Unidos e também na Europa na década dos anos 60.

Na Europa a década foi marcada por greves e demostrações gerais. a mais importante delas aconteceu em 1968 na França quando os estudantes tomaram as universidades públicas.

Enquato isto nos Estados Unidos as demostrações contra a Guerra do Vietnam, o assassinatos do pastor Martin Luther King, Jr., do candidato a presidência Robert Kennedy e os distúrbios raciais nas areas mais urbanas das grandes cidades deixavam a administração do presidente Lyndon B. Johnson em ponto de total ebulição.

Chris Fuscaldo

Chris Fuscaldo com algumas das capas dos discos dos Mutantes

Neste caldeirão de informações e mesmo sob a atmosfera bastante hostil da ditadura, três jovens da classe média branca de São Paulo, Arnaldo Dias Baptista, Sergio Dias Baptista (dois irmãos) e a bela ruíva Rita Lee criaram quase como que por brincadeira a banda os Mutantes. Detalhe: Rita Lee é descedente do General Robert E. Lee, aquele mesmo que lutou ferrenhamente tentando defender a autonomia dos estados confederados no sul dos EUA que queriam manter a todo custo a escravidão dos negros. Quando Os Mutantes, o primeiro Long Play (LP) do grupo foi lançado em 1968, o Brasil vivia sob uma profunda censura  na area política, cultural e jornalística.

Assim como em outras bandas, os Mutantes passaram por diversas formações. Músicos sairam para buscarem seus próprios projetos. Outros chegaram por causa do simbolismo e a força do nome da banda. Os Mutantes atravessaram o final dos anos 1960 e toda a década dos anos 1970 se reinventando e testemunhando as tranformações nos gostos musicais não sómente no Brasil, mas ao redor do planeta.

Com fotografias dos discos e histórias sobre os dois períodos bastante turbulentos politicamente falando, mas cheio de energia na area cultural, Discobiografia Mutante é um importante trabalho focado no trabalho musical da banda que sem dúvida alguma foi a que mais influenciou o Rock & Roll nacional.

Este belo livro escrito com muito carinho e dedicação será considerado por muito tempo o livro mais importante sobre a banda de Rock brasileira mais conhecida dentro e fora do Brasil.

Chris Fuscaldo

Discobiografia Mutante

Eidtora – Garota FM books

Páginas – 243

 

 

ANDREW FRIERSON (1924-2018)

Andrew Frierson

Andrew Frierson ao lado da famosa soprano Billie Lynn Daniel (NY Times)

Andrew Frierson cuja explêndida voz barítona ecoou nos palcos, teatros e espaços sinfônicos ao redor do planeta faleceu no final do ano passado na cidade de Oberlin no estado do Ohio. Ele estava com 94 anos de idade

Sua gloriosa carreira artística começou em Nova York quando estava com 34 anos de idade. Durante seis anos ele fez parte do grupo de barítonos do New York city Opera (NYC Opera). Em 1963 juntou-se  ao pastor Martin Luther King, Jr. na luta contra o racismo norte-americano direcionado em particular contra a comunidade afroamericana. No mesmo ano ele também participou da famosa marcha a Washington onde Martin Luther King, Jr. fez seu mais elogiado discurso I have a Dream. (veja o vídeo no final)

Durante sua vitoriosa temporada com o NYC Opera, Andrew Frierson deu aula na Universidade Baton Rouge na cidade com o mesmo nome no estado de Lousiana. Ele foi diretor musical no Henry Street Settlement Music School, uma importante instituição cultural na cidade de Nova York. Ele foi professor de voz no conservatório de música na cidade de Oberlin.

Nos anos de 1980 juntamente com o amigo James Kennon-Wilson, fundou o Cantores Negros de Ópera Independente. Seu objetivo na época era chamar a atenção para a falta de oportunidades e a carência de cantores de ópera negros. Andrew Frierson acreditava que somente com Educação e treinamento qualificado a lacuna poderia ser preenchida.

Andrew Frierson 2

Andrew Frierson

“Nunca houve um ‘verdadeiro’ cantor de ópera super astro por causa de atitudes racistas e sexistas na América”, declarou o senhor Frierson em entrevista para Wallace McClain Cheatham, do  Diálogos com a Ópera e a Experiência Afroamericana, em 1997.

“Audiências, particularmente a audência branca na América, pode até tolerar uma mulher negra sendo cantada e ‘perseguida’ por um  homem branco, agora ver um homem negro cantando e ‘perseguindo’ uma mulher branca é totalmente inaceitável por aqueles que detém o poder”.

De acordo com sua filha, Andrea Frierson, seu pai começou a dedilhar o piano com apenas 3 anos de idde. Aos 8 anos já estava tomando aulas. Antes mesmo de terminar o curso universtário na famosa Universidade Fisk em Nashville, no estado do Tennessee, Andrew Frierson foi convocado pelo Exército. Ele lutou no Pacífico durante a II Grande Guerra Mundial.

Após a guerra foi incentivado por seu professor de canto a matricular-se na eclética escola de música Juilliard em Nova York. Depois de terminar seu curso fez pós graduação na famosa Escola de Música de Mahattan.

Andrew Frierson fez sua estréia profissional com o NYC Opera em 1958. O ponto alto na sua carreira foram  as interpretações como Porgy no aclamado musical Porgy & Bess e como Caronte na montagem do espetáculo Orfeo.

Em 2000 Andrew Frierson ganho o prêmio especial Lifit Every Voice da Associação Nacional da Ópera cujo objetivo é promover a diversidade racial e étnica na profissão.