CINEMA – FÚRIA SANGUINÁRIA

White Heat

O grande filme Noir Fuga Sanguinária (1949) começa a todo vapor literalmente falando, quando um trem postal passando por California é assaltado por Athur Jarrett Cody (James Cagney) e sua gangue. No assalto a turma leva a bagatela de aproximadamente US$300 mil em notas do tesouro dos EUA. No rastro do assalto, além de roubarem o dinheiro, os ganguesters deixam 4 pessoas mortas.

Para despitar o Departamento do Tesouro e seus agentes e aliviar com isso a pressão sobre ele e sua turma, Cody forja uma situação que o leva a entregar-se aos agentes para cumprir uma pena menor sobre crime cometido antes do grande assalto. A idéia era deixar as coisas esfriarem enquanto ela arma um plano na prisão para conseguir  vender os títulos do tesouro norteamericano para compradores Europeus.

Cody tem um sério problema mental herdado do seu pai que morreu numa instituição mental. Para chamar a atenção de sua mãe (Margaret Jarrett) quando era criança, o pequeno Cody simula dores de cabeça. Entretanto, depois de adulto, suas dores de cabeça tornam-se reais e mais frequente juntamente com a sua dependência em relação a mãe.

Além das dores de cabeça, de cuidar de sua mãe e liderar sua gangue, Cody deve preocupar-se também com sua vulgar e bela mulher, Vera (Viginia Mayo) que está ao seu lado sómente para usufruir daquilo que o dinheiro pode oferecer. Vera está de olho no parceiro mais jovem de Cody, Big Ed Somers (Steve Cochran), que não só está de olho em Vera, mas em tomar o lugar do chefão.

James Cagney and Edmond O'Brien

James Cagney e Edmond O’Brien em Fúria Sanguinária

Para pegar Cody e sua gangue pelo assalto do trem postal, o governo planta um de seus agentes, Hank Fallon (Edmond O’Brien), para tentar descobrir os planos de Cody. Hank e Cody se tornam amigos e cúmplices no plano de fuga da prisão. A cena na hora do almoço quando Cody descobre que sua mãe está morta e um tour de force de primeira. É palpável o desespero de Cody ao saber que de agora em diante a única pessoa que sempre o amparou e o protegeu não estará mais presente. Seus gritos dizendo: “Me tirem daqui, me tirem daqui”, é angustiante.

A sequência final do filme Fuga Sanguinária mostrando Cody e sua gangue tentando roubar uma refinária é antológica. Sentindo-se como um animal raivoso preso numa armadilha, Cody usa toda sua energia enfrentando e atirando contra a polícia e os agentes do governo. Quando percebe que não há mais como escapar ele começa a atirar contra os tanques de óleo. Quando tudo está em chamas e antes de morrer na explosão, Arthur Jarrett Cody diz uma das falas mais emblemáticas no mundo do cinema. ” Eu consegui mãe. Estou no topo do mundo”.

Fuga Sanguinária

Direção – Raoul Walsh

Elenco – James Cagney, Virginia Mayo, Edmond O’Brien, Margaret Wycherly e Steve Cochran

Duração – 114 minutos

Estudio – Warner Brothers

CINEMA – AS DIABÓLICAS

Diabolique

As Diabólicas

Provavelmente quando o diretor britânico Alfred Hitchock apresentou seu famoso filme Psicose (1960) e pediu para a platéia que ficasse com o bico calado e não revelasse o que se passava na primeira meia hora do filme, o diretor certamente  estava copiando a idéia do diretor francês Henri-Georges Clouzot que pediu a platéia a mesma coisa cinco anos antes quando lançou seu filme As Diabólicas. A diferença é que o diretor francês pediu a platéia que não revelasse o final.

Baseado no livro Celle qui N’etait plus de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, As Diabólicas conta a história de um triângulo amoroso entre Christina Delassalle (a brasileira Vera Clouzot), Nicole Horner (Simone Signoret) e Michel Delassalle (Paul Meurisse).

Christina, casada com Michel, é constantemente humilhada pelo esposo. Ela é dona de um orfanato onde Michel é uma espécie de diretor geral. Ele é odiado por todas as crianças e temido pelos funcionários. Numa cena antológica, quando todos os funcionários e as crianças estão sentados para almoçar, Michel obriga Christina a comer a comida feita com peixe estragado. Relutantemente ela obedece ao marido. Podemos sentir o temor que sente pelo marido ao engolir o peixe podre.

Christina sabe que seu esposo é o amante de Nicole. Não aguentando mais os abusos e as humilhações que ambas sofrem diáriamente, Nicole convence Christina a matar o marido.

As Diabolicas

Vera Clouzot e Paul Meurisse no filme As Diabólicas dirigido por Henri-Georges Clouzot

Após concretizarem o plano, colocam o corpo de Michel dentro de uma piscina na esperança de que um dos encarregados de limpá-la o encontre. Quando finalmente a piscina é esvaziada para pegar a chave que Christina deixou cair propositadamente, as mulheres descobrem que não havia nenhum corpo. Nicole e Christina entram e pânico.

Após ler num jornal local sobre um corpo encontrado num rio Christina cria coragem e vai até o necrotério para reconhecer o corpo do esposo. Entrtanto, fica chocada quando vê que não é seu marido. Esperando no mesmo local está o inspetor de polícia Fichet (Charles Vanel) que irá ajudá-la a desvendar o mistério sobre desaparecimento do seu esposo.

Atormentada psicológicamente a cada dia que passa, Christina ameaça ir primeiro a um confessionário e depois a polícia. Porém, ela e persuadida por Nicole a desitir deste plano.

Filmado em preto e branco sem os recursos técnicos digitais atuais, As Diabolicas é um grande filme de suspense que prende a platéia até o final inesperado.

Atendendo ao pedido do diretor não abrirei minha boca sobre os últimos trinta minutos.

As Diabólicas

Direção – Henri-Georges Clouzot

Elenco – Vera Clouzot, Simone Signoret e Paul Meurisse

Duração – 107 minutos