DEMOCRACIA 1 X 0 INSURREIÇÃO

Posse do presidente eleito Joe Biden em Washington

Há exatamente duas semanas o mundo assistiu atônito a invasão do Capitólio em Washington por uma turba de fanáticos enfeitiçados pela oratória mentirosa do presidente Donald Trump. Em discurso a poucos metros do Capitólio, o ainda presidente afirmava para a massa disposta a escutá-lo que ele tinha ganhado a eleição presidencial do dia 3 de Novembro do ano passado. Para reverter os votos do Congresso a seu favor, Donald Trump incitou a massa ignara a invadir o Capitólio. Entretanto, o espetáculo triste e ao mesmo tempo deprimente desta tentativa de insurreição não foi o suficiente para tirar a democracia norte americana da sua rota em buscar uma União mais igualitária e com mais oportunidades para que qualquer cidadão possa buscar seus próprios interesses e sua felicidade.

Numa Quarta-feira com temperaturas frígidas, mas de um céu azul anil, Joe Biden, ex senador e ex vice presidente, tomou posse como o 46 presidente dos Estados Unidos. Elegantemente vestindo um terno azul marinho, uma camisa branca, uma gravata azul clara, e um sobretudo azul marinho, o presidente simbolizou com uma classe impar um evento certamente bem menor do que outras inaugurações, mas não menos festivo. Joe Biden jr. fez o juramento solene sobre a bíblia da família e o comando do presidente da Suprema Corte, o juiz John Roberts. Sua posse aconteceu sob um forte esquema de segurança jamais visto para uma inauguração presidencial na cidade de Washington.

Logicamente esta inauguração foi ofuscada por causa da tentativa de insurreição de duas semanas atrás e das mais de 400 mil mortes relacionadas com a COVID-19. Não falando de uma ameça que pairava no ar de um possível ataque terrorista perpetrado por terroristas domésticos da extrema direta branca. Hoje sabemos que o ataque ao Capitólio foi orquestrado por grupos como “Oath Keeper” e “Three Percents”.

Apesar do “lockdown” e da forte presença de mais de 20 mil militares de prontidão e de olhos bem abertos na cidade, a atmosfera no Capitólio era de alegria e esperança porque finalmente depois de intermináveis teorias de conspiração, mentiras fomentadas pelo ex presidente Donald Trump, e lutas jurídicas, a transição presidencial aconteceria pacificamente.

As formalidades cerimoniais não deveram em nada a outras transições do passado. Na posse de cerimonia estavam os ex presidentes George W Bush, Bill Clinton, e Barack Obama, com suas respectivas esposas. Suas presenças era uma demonstração clara de que a Democracia na América era mais forte do que qualquer tentativa de insurreição. Marcaram presença ainda na posse os cantores Garth Brooks, Lady Gaga e Jennifer Lopez. Lady Gaga cantou o hino nacional, Garth Brooks cantou “Amazing Grace” e Jennifer Lopez cantou “This Land is Your Land”.

O dia histórico teve alguns símbolos bastante significativos que é preciso mencionar. O primeiro deles foi a posse como vice presidente de Kamala Harris. A primeira mulher negra de ascendência jamaicana e indiana a ocupar este posto. Usando um vestido e um sobretudo lilás juntamente com um belo colar, a ex procuradora geral e senadora pela California deu um toque a mais de elegância a festa. Ela fez o juramento ao lado do marido sob o comando da juíza novaiorquina Sonia Sotomayor. A partir desta Quarta-feira ela é sem dúvida alguma a mulher com o maior poder político no país, ficando atrás somente do presidente. Um outro símbolo importante foi a presença da jovem poetisa laureada de apenas 22 anos, Samanta Gorman, declamando explendidamente o poema “The Hill We Climb”.

Kamala Harris fazendo o juramento como vice presidente.

Mesmo sem a presença do ex presidente Donald J. Trump a festa não perdeu seu brilho. O vice presidente que até um dia antes da insurreição sempre esteve ao lado do presidente compareceu ao lado da sua esposa para parabenizar o novo presidente. O ponto alto da inauguração foi o discurso otimista de Joe Biden. Ele começou pedindo para que todos juntassem suas forças, e que parassem de gritar e baixassem a temperatura política.

Sabendo da grave situação econômica que atravessa o país e principalmente a gravíssima crise sanitária por causa da COVID-19, ele delineou seu plano de ação para os primeiros 100 dias. O presidente falou também sobre os protestos do ano passado em nome da justiça racial. Ele afirmou que a América não pode mais virar os olhos para este problema e que o país tem sim uma enorme dívida que precisa ser resolvida. Joe Biden prometeu também combater o extremismo político e grupos terroristas domésticos. Para ele o combate ao supremacismo branco é imperativo. “Ele precisa ser combatido imediatamente”, disse o presidente.

Prometendo união Joe Biden disse que governará não somente para aqueles que votaram nele como também para aqueles que votaram em Donald J. Trump. O presidente pediu uma chance para ser o presidente de todos. Para o presidente política não deve ser debatida como se fosse uma guerra. Segundo Joe Biden, a discordância política salutar tem um papel fundamental numa democracia. “A política não tem que ser um fogo descontrolado, destruindo tudo no seu caminho”.

Com a festa de inauguração de Joe Biden jr., a América mostrou mais uma vez ao mundo que suas instituições democráticas são bem mais resilientes do que muita gente pensava. Perderam feio aqueles que apostavam no caos semeado pelo ex presidente do país.

6/1/2021 – UM DIA HISTÓRICO E UM DIA TRISTE NA AMÉRICA DO NORTE.

Bandeira dos Estados Unidos da América

O que certamente era para ser uma simples formalidade com a confirmação da eleição de Joe Biden para presidente dos Estados Unidos da América, tornou-se um triste espetáculo com centenas de arruaceiros e baderneiros invadindo o capitólio da maior república democrática do planeta. O deplorável episódio desta Quarta feira dia 6 de Janeiro onde a Camara dos represententes e o Senado foram invadidos, tem todas as impressões digitais do presidente Donald Trump. Desde o início da campanha eleitoral do ano passado, todas as vezes quando era perguntado se aceitaria sua derrota na urnas, o presidente enfaticamente dizia sem cerimonia que jamais aceitaria sua derrota. Além do mais, ele conclamava seus seguidores(devotos) para fazerem o mesmo.

Com suas declarações infundadas sobre uma enorme fraude envolvendo a eleição para presidente, Donald Trump foi montando o palco para o caos que sobrecaiu em Washington. Por causa das leis eleitorais norte americana, quando uma disputa eleitoral é vencida com uma margem minúscula, o candidato perdedor pode entrar com um pedido de recontagem de votos. Foi exatamente isso que o presidente Donald Trump fez nos estados do Arizona, Georgia, Michigan e Pennsylvania. Mesmo sabendo que suas chances de reverter qualquer resultado final eram bastante reduzidas, o presidente conclamou um grupo de advogados liderados pelo seu advogado pessoal, o ex prefeito de Nova York, Rudolph Giluiani, para liderar seu litígio político.

Congresso dos Estados Unidos da América dia 6 de Janeiro de 2021

Na América cada estado é responsável por organizar suas próprias leis eleitorias desde que estas não infrinjam os direitos civis de cada cidadão. O voto não é obrigatório e não há um título de eleitor nacional e as identificações para votar variam de estado para estado. O dia da eleição não é feriado nacional. Nenhum estado pode interferir na maneira como um outro conduz suas eleições e suas regras. Os estados na América são independentes desde que não firam a Constituição. Quando o Texas tentou processar a Georgia por aparente irregularidades como o estado conduziu sua eleição, Texas estava violando a Constituição.

Foi usando exatamente esta independência que vários estados resolveram modificar legalmente suas maneiras de conduzir a eleição para presidente o ano passado, por causa da pandemia que assolava o país. Em alguns estados era permitido votar antecipadamente, mas a contagem destes votos só poderia acontecer após o dia da eleição. Em outros, era possível votar pelo correio no dia da eleição. Alguns permitem até mesmo votação por procuração. Tudo isto foi feito legalmente e com a aprovação de cada legislatura estadual.

Em nenhum momento a campanha de Donald Trump contestou como cada estado cuidava de sua própria eleição. Quando as apurações em certos estado começaram a favorecer Joe Biden, Donald Trump então passou a twitar e a falar em entrevistas que uma fraude de enorme proporções estava acontecendo e que ele estava perdendo a contagem no Colégio Eleitoral por causa disso. Sem apresentar qualquer prova, o presidente começou a espalhar rumores sobre uma eleição fraudulenta onde o dedo de atores como a Venezuela, Cuba e de máquinas de votação “azeitadas” que mudavam os votos que deveriam ser computados para Donald Trump indo para Joe Biden.

Invasão do Capitólio em Washington na Quarta Feira dia 6 de Janeiro de 2021.

A teoria da conspiração virou uma enorme bola de neve onde até mesmo milhares de pessoas mortas acabaram votando ilegalmente e cédulas eleitorais com o nome de Joe Biden foram levadas ilegalmente de Nova York para Pennsylvania. Um vídeo surgiu onde mesários supostamente esconderam votos em malas embaixo da mesa e no meio da noite colocaram estes votos a favor de Joe Biden. Nada disso foi provado em corte. Mas para a campanha de Donald Trump e para seus seguidores isso não era importante. A conspiração não precisava ser provada. A palavra do presidente deveria ser aceita sem qualquer contestação.

Petições após de petições foram levadas as cortes estaduais afirmando fraude. Na verdade, mais de 50 delas foram rejeitadas pelas cortes estaduais. A Suprema Corte do país rejeitou categoricamente um pedido de Donald Trump para intervir na eleição. Nos estados onde os responsáveis pela eleição eram do partido republicano e Donald Trump tentou contestar os resultados, como no estado da Georgia, onde mais de 5 milhões de votos foram contados por computadores e depois recontados manualmente, sem alteração do resultado final, não foi o suficiente para aplacar a teoria conspiratória de fraude eleitoral propagada pelo presidente. Donald Trump passou então a atacar seu apoidares republicanos que rejeitavam suas teorias conspiratórias. Sua última tentativa deseperadora foi pressionar Brad Raffensperger, o secretário de estado republicano da Georgia, para “encontrar 11 mil votos” e dar a vitória a ele.

Com o caminho praticamente cerrado para reverter os números de votos do Colegio Eleitoral a seu favor, o presiente usou toda sua enorme influência dentro do partido para recrutar alguns senadores e representantes para recusarem a confirmação de Joe Biden que aconteceria no Congresso. Mike Pence, o vice presidente, com a responsabilidade de seguir a Constituição, deixou o presidente falando sózinho. Ele afirmou que tinha chegado o momento de aceitar a derrota. Quando o congresso estava a postos para ratificar Joe Biden como o novo presidente, a massa ignara invadiu o Capitólio com a benção de Donald Trump. O que se seguiu foi um enorme caos resultando uma mancha enorme no processo democrático da América. O mundo testemunhou o poder carismático e maligno de um presidente preocupado não com as instituiçoes democráticas do seu próprio país, mas somente com a sua sobrevivência política, não importanto que para atingir seus objetivo ele minta descaradamente quase descarrilhando a democracia dos EUA.