EXPOSIÇÃO – JACKIE ROBINSON

Jackie Robinson with baseball bat

Jackie Robinson com a famosa camisa do Brooklyn Dodgers

Em 1947, dois anos após o final da 2a Grande Guerra Mundial (1941-1945), e um ano antes da desegregação total das Forças Armadas nos EUA, um extraordinário evento aconteceu no mundo dos esporte no país.

No dia 15/04/1947 o jogador de beisebol Jackie Robinson de apenas 28 anos de idade pisa pela primeira vez no gramado do estádio do Brooklyn Dodgers em Nova York vestindo a camisa numero 42. Ele estreiava como jogador profissional na liga que é conhecida nos EUA como as Grandes Ligas. Neste dia a barreira da cor no esporte mais popular dos Estados Unidos era oficialmente rompida.

Filho de meieiros, Jackie Robinson nasceu no estado da Georgia (Sul) em 1919. Jackie Robinson graduou pela universidade UCLA na Califórnia. Ele foi também o primeiro atleta afroamericano na universidade a fazer parte dos times de beisebol, basquetebol e futebol americano.

Jackie Robinson serviu o Exército norte-americano com distinção entre 1942 e 1944. Porém, foi dispensado honrosamente depois de ser chamado de insubordinado por recusar-se a sentar na parte traseira de um ônibus público, como era comum na época das leis segreagacionistas.

O museu da cidade de Nova York (mcny.org) está apresentando no momento a magnífica exposição In The Dugout With Jackie Robinson. Este ano o lendário atleta estaria completando 100 anos. A exposição conta com mais de 30 fotos tiradas quando ele ainda era jogador do famoso clube no Brooklyn.  Em 1958 o time mudou-se para a ensolarada Califórnia.

Jackie Robinson

Jackie Robinson e Carl Furillo

“Estas fotos oferecem uma olhadela íntima de um período definitivo na história dos esportes na América”, disse o presidente do museu, Whtney Donhauser.

A maior parte das fotos foram tiradas pelos fotógrafos Kenneth Eide e Frank Bauman da famosa revista Look. O ponto alto desta bela  homenagem fica por conta das fotografias tiradas em momentos mais descontraidos e de lazer ao lado de jogadores no vestiários e também ao lado da sua esposa Rachel e do filho Jackie Jr.

Vale notar que as fotos foram tiradas numa época onde a privacidade dos atletas ainda não era respeitada pela mídia em geral. A intenção do Brooklyn Dodgers em mostrar estas fotos publicamente era passar a idéia de que Jackie Robinson era igual a qualquer outro jogador branco da liga.

jackie-robinson and family

Jackie Robinson com a familia e com o uniforme do Brooklyn Dodgers

Segundo o curador da exposição, Sean Corcoran, o time do Brooklyn Dodgers “peneirou” Jacke Robinson não sómente por causa de suas abilidades como atleta, mas também pelo que eles entendiam ser o seu comportamento sob pressão. É de conhecimento de muita gente que o jogador “prometeu” dar o outro lado da sua face contra os abusos sofridos principalmente nos primeiros anos jogando nas Grandes Ligas.

“Voce definitivamente sente que ele era consciente do peso que estava carregando”, disse a curadora da exposição, Susan Gail Johnson. “Ele sabia, e voce pode ver isto nitidamente nas fotos da revista”.

Esta consciência dentro e fora dos gramados fica evidente nesta exposição. Porém, ela em nenhum outro lugar fica mais nítida do que na foto tirada em 1949 no segundo ano como profissional, quando o extraordinário atleta olha para o seu lado esquerdo com o bastão no ombro segundos depois de completar sua rebatida.

Tanto o atirador como o “catcher”(aquele que fica atras do rebatedor no beisebol) se entre olham testemunhando a proeza do eclético e por que não dizer nobre atleta.

In The Dugout With Jackie Robinson

Museu of the City of New York

Endereço –  Equina da rua 103 com a 5a avendia

New York/NY

Até Setembro 2019

www.mcn.org

 

ESTANTE LITERÁRIA – MÚSICA RAP

Go ahead in the rain

Quando o grupo de música rap A Tribe Called Quest lançou seu quarto albúm chamado Beats, Rhymes and Life em 1996, o então adolescente Hanif Abdurraquib ficou tão viciado no albúm que no seu Walkman não havia espaço para qualquer outro grupo musical.

Os CDs há anos  já tinham substituídos as famosas fitas cassettes. Entretanto, para o adolescente, nada ilustrava melhor o contacto com a eclética música rap do grupo do que apertar os botões do seu Walkman para avancar, pausar e rebobinar.

No pequeno volume Go Ahead In The Rain o agora crítico cultural e poeta Hanif presta uma bela homenagem a um dos grupos mais influentes da música rap dos anos 1990. O livro traça a carreira do grupo nos últimos 30 anos mostrando as mudanças culturais  e de gosto nos Estados Unidos e porque não dizer no mundo. Entretanto, Go Ahead In The Rain é uma história bastante pessoal.

O livro começa ligando a música rap com os cantos dos escravos dentro dos tumbeiros nas travessias através do oceano Atlântico até chegarem ao Novo Mundo. Hanif liga ainda a percussão dos negros banida pelos “códigos negro” do século XVIII a música Jazz nascida da opressão sofrida pelos escravos e libertos nos EUA.

Isto tudo para nos levar a sua adolescência e sua vontade de conectar-se melhor com seu pai através da música. Para isto ele começou até mesmo a tocar o trumpete. Na casa onde a música rap não era bem vinda, o som do grupo com suas letras mais refinadas e uma crítica mais social ligada a  batida copiada da música Cool Jazz, A Tribe Called Quest acabou furando a resistência do patriarca da família.

Para os mais aficionados do grupo há bastante informações com muitas interpretações do autor aos mais variados fatos ligados ao grupo. A Tribe Called Quest nasceu em 1985 em St. Albans, um bairro classe média negra no bairro do Queens em Nova York. As músicas do grupo tinham uma forte influência do conceito “Afrocentric Rap Collective Native Tongues”, uma espécie de ideologia onde o objetivo era promover uma cultura positiva ligada a África.

A Tribe Called Quest

A Tribe Called Quest

Segundo o livro várias forças culminaram com a separação do grupo em 1998. A primeira e com certerza a mais forte teve um caratér  impessoal.  Teve mais a ver com o caminho que a música rap estava seguindo no final da década, onde o dinheiro e fama tinham uma atração forte e isto acabou causando um racha entre o rap mais comercial e rap considerado mais autêntico com uma consciência critica social.

Isso acabou trazendo para muitos artistas a seguinte questão: Seja real e fique fora do radar comercial, ou se torne mais popular com milhões de dolares no bolso e no banco. Hanif coloca A Tribe Called Quest no centro desta intensa disputa. O resultado foi um enorme estresse entres seus integrantes.

O que realmente interessa ao crítico musical é a intensa e complicada amizade entre os dois principais atrista do grupo, Q-Tip e Phife Dawg. Enquanto o primeiro é elogiado pelo seu perfeccionismo. O segundo por sua maneira cáustica e sua arte irônica com o microfone é mais identificado com o autor.

Go Ahead In The Rain acaba sendo uma carta apaixonada de um fã. Poderíamos até dizer que o livro é uma sorumbática homenagem ao seu artista favorito no grupo.

We Got it from here Thank you 4 your services

Último albúm do grupo A Tribe Called Quest (2016)

Phife Dawg faleceu em 2016 logo após o reencontro do grupo para a gravação do albúm We Got It From Here… Thanks You 4 Your Service. O primeiro albúm em 18 anos. Detalhe: O albúm foi lançado dois dias  depois da conturbada eleição do presidente Donald Trump nos EUA.

O livro está recheado de informações importantes. Entre elas estão os nomes de influentes personagens da cultura afroamericana e norte-americana em geral como a escritora Toni Morrison e o cantor Otis Redding.  Num outro importante capítulo lemos sobre os assassinatos de Philando Castile e Alton Sterling. O primeiro assassinado em Minnesota e o segundo em Louisiana. Ambos numa disputa com a polícia local.

O pequeno e altamente gratificante livro é uma maneira de Hani Abdurraqib mostrar toda sua gratitude ao grupo de rap que mais influenciou seu crescimento intelectual e seu senso crítico musical.

Go Ahead In the Rain: Notes to a Tribe Called Quest

Hanif Abdurraqib

Editora – University of Texas Press

207 Páginas

Preço – US$16.95