ESTANTE LITERÁRIA

Com o crepúsculo da energizante era Disco Music mostrando sua cara logo no ínico dos anos de 1980, uma nova cena musical e cultural surgiu na cidade de Nova York no início da década. Desta vez as festas e reuniões não estavam mais acontecendo na famosa pista de dança do Studio 54 com todas aquelas celebridades consagradas ou em alguma outra danceteria famosa da cidade. Elas estavam acontecendo nas pequenas galerias de artes e nos pequenos clubes espalhados na parte baixa da ilha de Manhattan.

A agitação desta vez acabou mudando seu endereço para uma área não muito glamorosa conhecida como downtown. A grande diferença nesta nova cena musical foi o importante papel desempenhado pelos jovens artistas pouco conhecidos surgindo em cena. Gente como os grafiteiros Jean Michel-Basquiat, Fred Fab 5 Freddy, a roqueira Debby Harris, mais conhecida depois como a vocalista da banda Blondie entre muitos outros.

O grafiteiro Jean Michel-Basquiat como DJ numa das festas em Manhattan/NYC.

Para contar um pouco desta enorme agitação e energia cultural o professor britânico Tim Lawrence que dá aula de Estudo Cultural na faculdade East London escreveu LIFE and DEATH on the NEW YORK DANCE FLOOR. Este estupendo livro com mais de 500 páginas todo recheado de fotografias da época registra uma era bastante tumultuada mostrando as erupções tanto sociais como culturais que estavam acontecendo dentro do mundo dos vários clubes subterrâneos e das pequenas galerias na ilha de Manhattan. Um movimento de enorme importância cultural nas artes, apresentações artísticas, videos e filmes. Tudo isto diga-se de passagem fora do mundo corporativo dos grande museus da cidade ainda bastante concentrados não no pluralismo cultural de Nova York, mas nos cânones anglo-saxões e europeus de cultura.

Entrevistando DJs, anfitriões das festas, produtores, músicos, artistas e dançarinos, Tim Lawrence ilustra como a relativamente discreta cena pós-Disco, pós-Punk, e o Hip Hop (ainda na sua infância) foi marcada pelo seu nível de pluralidade, interação e convergência. O autor explica ainda como a mudança na paisagem urbanística da cidade acabou apoiando uma renascença cultural antes da atual gentrificação, a reaganomics, a invasão corporativa e a disseminação da AIDS e como tudo isso acabou ajudando também no seu triste fim.

Cena cultural em Nova York dos anos de 1980.

O livro concentrado expecificamente entre os anos de 1980 1983 é uma grande viagem para uma época onde a energia das músicas, dos artitas, dos clubes e dos DJs estavam todas convergidas numa grande força cultural de criação, de energia e claro de muita alegria.

LIFE and DEATH on the NEW YORK DANCE FLOOR

Tim Lawrence

Editora – Duke Press

Páginas, 600 – preço, US$25,33

Rapture – Debbie Harry

LUZ NO FINAL DE UM LONGO TUNEL

Com o início da vacinação em massa os EUA estão finalmente olhando para a luz de um longo e escuro tunel.

Depois de quase 9 meses de agonia e onde até o presente momento mais de 300 mil pessoas já morreram em decorrência da epidemia do COVID-19, os Estados Unidos finalmente deram um enorme passo nesta segunda feira dia 14 quando começaram a administrar a vacinação em massa para tentar de uma vez por toda por fim a este enorme pesadelo sanitário que literalmente colocou o colosso norte americano de joelhos. O país deu início a uma campanha de vacinação que não era vista no seu território desde a vacinação em massa contra a polio na década dos anos de 1950.

Uma enfermeira no bairro de Queens na cidade de Nova York foi a primeira pessoa no país a ser vacinada. Os trabalhadores hospitalares na linha de frente no combate a pandemia terão prioridade nesta vacina autorizada pelo governo norte-americano e desenvolvida pelos laboratórios PFizer e BioNtech. A farmacêutica Pfizer enviou as vacinas no último domingo. Os hospitais e os departamentos de saúde estaduais e municipais receberão as milhares de doses na segunda feira.

Vacinação contra o COVID-19 nos Estados Unidos da América.

De acordo com o general Gustave Perna, o encarregado da operação Warp Speed, o programa de combate ao COVID-19 do governo federal, 55 localidades dentro do país haviam recebidos suas vacinas por volta do meio dia da segunda feira. Ele afirmou ainda em entrevista coletiva que seus planos são de um total de mais de 1000 localidades com a possibilidade de nos próximos dias uma distribuição de quase 3 milhões das primeiras doses da vacina. De acordo com o doutor Howard Markel, professor de história médica da universidade de Michigan, este é o maior programa de vacinação criado pelos Estados Unidos na sua história. Segundo suas próprias palavaras “nós jamais tivemos uma campanha massiva desta magnitude no meio de uma pandemia.”

Segundo a universidade John Hopkins, a média de mortes num período de 7 dias passou de 824 no início de novembro para 2400 no último domingo dia 13. Isto obrigou vários governadores e prefeitos a impor mais uma vez restrições em seus estados e cidades para tentar diminuir ao máximo a propagação do vírus.

A agência reguladora, a FDA, autorizou o uso da vacina da Pfizer e BioNTech na última sexta-feira dia 11 falando da sua efetividade de 95% na prevenção contra o COVID-19 feito dentro de um grande estudo clínico. No último sábado um comitê de conselheiros para o Centro de Prevenção e Doenças, o CDC em inglês, votou recomendando a vacinação nas pessoas maiores de 16 anos de idade no país.