CIRCUNCISÃO FEMININA

Female circunsicion 2

A circuncisão feminina pode deixar marcas permanentes tanto física como  psicológica nas mulheres.

De acordo com um extenso artigo publicado no periódico The New York Times no começo do ano passado, aproximadamente 200 milhões de mulheres foram circuncisadas ao redor do planeta em 2016. Esta prática acontece principalmente nos países do Continente Africano, na Ásia, e também no Oriente Médio. Este ritual consiste em remover uma parte ou toda a labia vaginal da mulher.Segundo a reportagem, os danos físicos causados as mulheres por esta prática são quase irreparáveis. Psicologicamente pode levar anos até que uma mulher se recupere completamente desta traumatizante experiência.

Saffiatu Sillah é uma desta mulheres. Ela foi circuncisada quando ainda era uma criança. Morando atualmente na cidade de Filadélfia, Saffiatu Sillah nasceu na Libéria, o pequeno país no lado Oeste do Continente Africano. Ainda segundo o artigo, a senhora Shillah disse que por causa deste trauma muitas vezes ela sente dores muito fortes durante o ato sexual e também durante o parto.

Com a ajuda da doutora Ivona Percer uma cirurgiã plástica, a senhora Saffiatu Sillah foi submetida a uma delicada cirurgia para a reconstrução da área do clitóris e da diminuição da dor na região vaginal. Este procedimento médico chamado reconstrução clitorial ou reconstrução é visto com cuidado ou um certo ceticismo por alguns médicos nesta area bastante complexa e delicada.

A Organização Mundial da Saúde (Health World Organization em Inglês) enquanto reconhece o papel importante das operações, ao mesmo tempo afirma ainda que não há estudos garantindo a efetividade deste procedimento. A Organização também aconselha contra o procedimento para fins único de aumentar somente a satisfação sexual.

Female circunsicion

Segundo a Ornaização Mundial de Saude 200 milhões de mulheres foram circuncizadas em 2016.

Saffiatu Sillah foi circuncisada com apenas 7 anos. Os adultos disseram a ela: “Isto a tornará uma mulher.” No período que o corte cicatrizava, sua lábia juntou-se com seu clitóris deixando somente um pequeno orifício aberto.

Quando chegou aos EUA adolescente com apenas 16 anos, ela simplesmente evitava sair com rapazes por medo de que eles se sentiriam aterrorizados. Quando finalmente teve sua primeira experiência sexual, ela disse, “foi muito doloroso”.

Depois que ela acordou da cirurgia a doutora Percer anunciou a notável notícia, “Encontrei o seu clitóris”. A senhora Sillah disse que ela se sentiu completa como uma mulher pela primeira vez.

“Agora – Eu na verdade tenho um clitóris sentado aqui”, disse ela que agora vive com seu esposo e filhos em Maryland. “Eu sempre tive orgasmo, mas nossa, isso é bem melhor.”/NYT

 

UNIVERSIDADES NA AMÉRICA E A ESCRAVIDÃO – PARTE II

Princeton University 1746

Universidade Princeton inaugurada em 1746, 30 anos antes da revolução nos EUA.

A universidade Princeton no estado de Nova Jersey é a quarta instituição de ensino superior mais velha dos Estados Unidos. Ela é considerada também uma das mais prestigiosas. A universidade foi fundada em 1746. Ou seja, Princeton foi erguida 30 anos antes da revolução de 1776 que separou as 13 colônias iniciais da poderosa Inglaterra.

No acalorado debate sobre a escravidão na fundação do país, a ideia geral é que esta nefasta instituição ficou concentrada somente nos estados sulistas. Porém, a história é bem mais complicada ao que parece. Várias Instituições de Ensino Superior localizadas no Norte do país, entre elas a própria Princeton, tiveram uma participação importante na escravidão norte-americana. Algumas delas inclusive sendo financiadas com a venda e compra de seres humanos. Graças ao extraordinário trabalho desenvolvido pela professora de história Martha Sandweiis, é possível verificar o papel da universidade Princeton na escravidão.

Os nove primeiros presidentes da instituição eram escravocratas. Eles possuíam entre suas propriedades vários escravos que se não pertenciam diretamente a Princeton, estes escravos faziam parte do inventário rico que estes presidentes exibiam para a sociedade em geral.

Desde o meio da década passada várias universidades renomadas nos Estados Unidos, entre elas a Universidade de Virginia, a Universidade Brown, a Universidade Harvard e a Universidade de Georgetown, reconheceram seus intricados papéis na época da escravidão. O projeto Princeton e a Escravidao (Princeton and Slavery Project em inglês) é sem dúvida alguma o mais ousado por causa da profundidade de suas pesquisas com relação a este tema de vital importância dentro da história dos EUA. No Brasil, onde a escravidão foi mais longa e levou mais de 4 milhões de africanos para suas praias, o tema não é tratado com o devido respeito e profundidade que merece pelas nossas instituições de ensino superior.

Princeton and Slavery Project

Princeton e o Projeto da Escravidao confrontando o passado da instituição.

Na página do projeto(https://slavery.princeton.edu/) é possível encontrar centenas de documentos originais e mais de 80 artigos explorando o tema relacionado com o início do financiamento escravidão/universidade, a população demográfica e a historia da violência num dos campus universitários conhecido como o mais culturalmente sulista das prestigiosas universidades.

Mais de 40% dos estudantes na Princeton antes do início da Guerra Civil eram sulistas cujos pais eram os grande escravocratas no país. Este número chegou a dois terços em 1850. “A história da universidade Princeton é a história da América”, disse a professôra Martha Sandweiss. “Desde o começo Liberdade e Escravidão sempre estiveram entrelaçadas”.

Os pesquisadores do projeto encontraram evidências por parte da administração da universidade em recrutar particularmente estudantes sulistas. “Princeton teve mais estudantes oriundo de Mississippi nas décadas antecipando a Guerra Civil do que tem hoje em dia”, disse a professóra Sandweiss.

Na cidade de Princeton, os estudantes sulistas, (bem como a vasta maioria dos estudantes do Norte) encontraram algo não familiar a eles. Uma comunidade orgulhosa e antiga de homens negros livres. Porém, dentro das paredes do campus a universidade mantinha uma área segura para os filhos dos escravocratas.

Princeton and Slavery Project 2

Simpósio Princeton e a Escravidão

“Princeton tinha a reputação de um local moderado onde nortistas e sulistas se davam bem”, disse a estudante graduada e participante do projeto, Isabela Morales. “Mas 15 anos antes da Guerra Civil voce poderia encontrar os estudantes divididos entre as linhas de batalhas para brigarem pela questão racial.

Assim que os estados do sul começaram a deixar a União, os estudantes sulistas começaram a deixar o campus. No famoso livro de autográfos dos estudantes, a professôra Sandweiss encontrou comoventes incrições trocadas entre amigos que  logo se encontrariam no campo de batalha. “Basicamente, eles estavam indo para matarem seus colegas de dormitórios”, disse Sandweiss.

“Se voce andar em volta do campus hoje em dia verá um monte de homens brancos mortos”, disse a professóra. “Isto não é inverídico sobre a nossa história, mas é profundamente inverídico ao que a universidade Princeton tem trabalhado duramente para transformar-se nestas últimas décadas”. “As vezes”, ela disse, “é difícil para a história colocar-se em dia”./NYT