O CHEIRO DA MORTE PAIRA NO AR NA AMÉRICA LATINA.

Latin America

América Latina é considerada uma das regiões mais violentas do mundo

Na sua edição do dia 21/9/2018, o periódico The Wall Street Journal, considerado o informativo econômico mais importante do mundo capitalista, detona com uma grande notícia de primeira página todos os países da região e o Caribe falando sobre a violência endêmica e o estrago que isto causa nas suas economias. O Brasil, considerado a locomotiva da região lidera no quesito violência e corrupção.

O importante artigo começa falando da morte violenta de um jovem de apenas 22 anos assassinado com seis tiros. O último tiro foi na cabeça enquanto tombava já sem vida, num retrato atual da paradisíaca cidade de Acapulco no México. Esta morte ilustra a transformação ocorrida nos últimos 50 anos num dos lugares mais icônicos do planeta. Para os leitores mais jovens, Acapulco serviu de cenários para filmes importantes na era de ouro dos filmes de Hollywood. Entre seus habitué mais famosos estavam as celebridades Elizabeth Taylor, Frank Sinatra e John Wayne.

Acapulco sempre foi destino para milhares de turistas ao redor do planeta. Detalhe: a cidade foi também o lugar escolhido pelos presidentes norte-americanos John Fitzgerald Kennedy e Bill Clinton para passarem suas respectivas luas de mel.

O ano passado 900 pessoas foram assassinadas na cidade que conta com uma população de apenas 800 mil habitantes. Este total é mais do que o total de mortes acumuladas por países como Espanha, Holanda, Portugal e Suécia juntos.

Segundo o artigo, diariámente morrem mais de 400 pessoas na região vitímas de violência. O que dá um total de aproximadamente 145 mil mortes anualmente. O Brasil com mais de 60 mil mortes lidera na violência.

A América Latina conta com apenas 8% do total da população mundial. Porém, acumula um terço das mortes ao redor do planeta. Um outro dado importante nesta triste estatística é que quase uma morte a cada quatro ao redor do mundo ocorre sómente em 4 países: Brasil, Colômbia, El Salvador e Venezuela.

Violencia en Mexico

Protesto na cidade do Mexico: Vivos os levaram. Vivos os queremos

De acordo com estatísticas da ONU, na União Européia, o ano passado morreram 5.321 pessoas, e nos Estados Unidos com toda sua cultura de armas morreram 17.250.

As mortes na América Latina abocanham anualmente mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta perda com as mortes poderia ser investida em áreas como a Sáude, Infraestrutura e Segurança. Segundo estimativa do Bando Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), os países perdem  na média entre US$115 bilhoes e US$260 bilhoes. Este montante é o mesmo que os mais pobres ganham anulamente no meio destas tragédias.

A situação na cidade de Acapulco é tao extrema que os cadáveres são empilhados por falta de espaço no IML local.

“Não conseguimos dar conta”, diz Ben Yehuda Martinez, o perito criminologista encarregado de investigar as mortes no Estado de Guerrero, onde esta localizada a cidade de Acapulco. A América Latina conta com 43 das 50 cidades mais violentas do planeta, incluíndo nesta lista as 10 primeiras.

Entre os anos de 2000 e 2017 aproximadamente 2.5 milhões de pessoas foram assassinadas na região. Seria como se uma cidade do tamanho de Chicago fosse completamente obliterada. No mesmo período se colocarmos juntos todos os atos terroristas que aconteceram ao redor do mundo 243 mil pessoas foram mortas.

“Grandes áreas no Brasil, Colômbia, El Salvador, Honduras, México e Venezuela vivem dentro de uma guerra não declarada”, afirmou Robert Muggah, do Instituto Igarapê no Brasil.

De acordo com estatísticas do governo brasileiro, entre 2005 e 2015 mais de 1.300 bebês com menos de 1 ano morreram em decorrência da violência. Praticamente metade das mortes ocorridas no país anualmente atingem pessoas com mais de 60 anos.

Violência em São Paulo

Protesto contra violência policial em São Paulo

Segundo o artigo, a violência pode ser traçada ao passado colonial da região onde o trabalho escravo reinou absoluto por mais de 300 anos. No Brasil específicamente falando foram mais de 350 anos. A disparidade entre ricos e pobres é uma das mais altas do mundo, o que gera um enorme ressentimento na população. Na região uma grande parte de sua encomia ainda é informal. Isto certamente leva milhões a sonegarem impostos. Fomentando uma cultura de “dar um chápeu” no governo.

Com exceções raras na região como o Chile, a América Latina como todo falhou em criar instituições legais sólidas após suas independências dos paíse europeus.

Sómente entre 10% e 20% dos assassinados que acontecem na região são resolvidos satisfatóriamente. Tanto no México como no Brasil, as duas maiores economias, a força dos cartéis das drogas e das organizações criminosas são difíceis de serem completamente erradicadas. Muitas destas organizações tem seus tentáculos infiltrados dentro do aparatus do Estado de direito.

A cidade de Acapulco(poderíamos colocar o Rio de Janeiro) é uma metáfora perfeita para os fracassos que acontecem na América Latina. A cidade é de uma beleza natural incrível, mas está afundada no combustivél que azeita a engrenagem da violência na região. Ou seja, a Iniquidade, uma rápida e desorganizada urbanização, falta de boas instituições como escolas públicas, polícia livre de corrupção e corrupção endêmica. O modus operanti na região com raras exeções sãos os famosos “jeitinhos” e o “vale tudo”.

David Luhnow, 400 Murders A Day: The Crisis In Latin America, The Wall Street Journal, 9/21/2018.

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