DIGNITATIS HUMANAE – VIOLÊNCIA ENDÊMICA NO BRASIL.

Violencia no Brasil

Demontração contra violência policial em Viotória no Espírito Santo

Podemos afirmar sem qualquer sombra de dúvida que há décadas o Brasil enfrenta com poucos sucessos a violência na sua sociedade. Um estudo publicado no começo de 2018 pelo governo Federal coloca em xeque todas as tentativas de estancar esta hemorragia vermelha.

Em 2015 mais de 4% do Produto Interno Bruto(PIB) foi jogado pelo ralo por causa de perdas com a produtividade, com o policiamento e com o encarceramento.  O estudo afirma que entre 1996 e 2015 o Brasil perdeu anualmente mais de $150 bilhões de reais. Dinheiro que certamente poderia ter sido usado para melhorar o ensino básico, para o saneamento, para os hospitais, e para a infraestrutura em geral.

O próprio governo Federal reconhece que esta situação é insustentável numa época onde vários estados não podem aumentar seus gastos e outros estão inadimplentes.

O governo diz ainda que o custo total com a violência nestes últimos 20 anos chega a cifra extraordinária de quase US$2 trilhões. “Os números são assustadores”, disse Hussein Kalout, secretário especial de assuntos estratégicos, a divisão do governo Federal encarregada deste importante estudo.

Violencia no Brasil 2

Violência policial no Rio de Janeiro

Com estas informações o governo federal espera injetar no debate presidencial a urgência em discutir estratégias a longo prazo de prevenção contra a violência endêmica.

Segundo o estudioso do assunto, Robert Muggah, do Instituto Igarapé que contribuiu para o estudo, “a crise política e econômica em todos os níveis do governo mostra o tamanho da disfuncionalidade. Esta crise geral profunda em todos os níveis da sociedade  mostra a extensão da caverna onde o país se encontra. Fora o lugar comum de promessas vazias nenhum candidato atual a presidente tem um plano eficaz a longo prazo para o país sair desta escuridão.

Um emblemático caso desta disfuncionalidade atual aconteceu na cidade mais reconhecida do Brasil mundialmente e também a com altos índices de violência, o Rio de Janeiro, que diga-se de passagem jamais deveria ser chamada de cidade maravilhosa. No início do ano houve um emblemático enfrentamento entre as forças policiais(corruptas) do estado e supostos traficantes no Pão de Açucar. Isto fez com que visitantes do famoso local turístico correcem para buscar abrigo. O teleférico foi fechado temporáriamente.

Com mais de 62 mil morte em 2016 por causa desta violência, o país chegou a marca de mais de 30 mortes por cada 100 mil habitantes. Para os especialistas estes níveis são insustentáveis para o funcionamento de qualquer sociedade democrática de direito.

O estudo mostra também que o principal avo desta rampante violência é a desprezada comunidade afro-brasileira. Os jovens negros entre as idades de 13 e 29 anos são as principais vítimas desta violência. Eles representam mais de 70% do total de mortes. Isto poderia certamente ser considerado um caso de genôcidio.

Estas estatísticas certamente não causam surpresa ao residente do complexo de favelas da Maré,  Edson Diniz, um ativista numa das áreas mais violentas do Rio de Janeiro. “As famílias não precisam destas estatísticas para saberem que seus filhos são os mais ameaçados. Eles são os mais revistados pela polícia e são os mais visados pelos traficantes” ele disse emocionado.

Favela da Rocinha

Ocupação do Exército na favela da Rocinha

 

Enquanto o país não encontrar uma maneira eficiente de incorporar milhões de brasileiros que vivem a margem da sociedade no mundo capitalista de consumo e bem estar esta hemorragia não será estancada. Medidas paliativas como a ocupação das favelas pelo Exército com consequências ainda mais graves como a morte da vereadora Marielle Franco, não resolverá o problema. A sociedade em geral seguirá pagando um preço altíssimo por esta negligência histórica.

O historiador Marco Antonio Villa que faz parte da bancada conservadora do Jornal da Manhã na rádio Joven Pan Am(SP) vive pregando uma total ocupação das favelas no Rio de Janeiro pelo Exercito como uma forma do Estado recuperar o território ocupado por traficantes. Me pergunto se ele sabe o número de favelas na cidade.

Ele não diz como o Estado fará esta recuperação, por quanto tempo e quem ira arcar com os custos e o mais importante – quantos cidadãos possivelmente perderão suas vidas nesta suposta tomada pelo Estado das favelas.

É muito facil jogar idéias absurdas no ar sentado no conforto dos estúdios da rádio num dos bairros mais nobres da cidade de São Paulo. O triste é saber que esta idéias tem rastro e são compartilhadas por milhões de ouvintes.

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