CULTURA EM NOVA YORK – MEMÓRIAS DESENTERRADAS DO HOLOCAUSTO

Quando o fotógrafo polonês Henryk Ross(1901-1991) foi confinado ao gueto judeu de Lodz na Polônia em 1940, ele foi incumbido de registrar imagens do local. Durante sua permanência no campo de concentração, ele foi obrigado a trabalhar para o regime nazista como um fotógrafo “burocrático”. Sua missão consistia em fotografar o cotidiano do gueto.

Duarante quase 4 anos, Henryk Ross usou sua posição oficcial de fotógrafo como disfarce para o Departamento de Estatísticas Para o Conselho Judáico dentro do gueto, (e com isto colocando em risco sua própria vida) para documentar sorrateiramente a vida dos outros prisioneiros e as atrocidades sendo cometidas pelos nazistas.

Henryk Ross

Costurando dentro do gueto Lodz na Polônia durante a 2a Grande Guerra Mundial

Durante o genocídio Ross conseguiu a proeza de cavar um buraco perto de sua residência  e esconder 6 mil negativos. Sua verdadeira intenção era mostrar para as futuras gerações o que realmente estava acontecendo com os judeus na Europa.

Henryk Ross sobreviveu ao Holocausto. Em Março de 1945 ao final da guerra, ele conseguiu desenterrar suas fotografias com as próprias mãos.

Recentemente o Museu da Herança Judáica e Memorial Vivo Para o Holocausto aqui em Nova York apresentou a exposição “Memory Unearthed” (Memórias Desenterradas)com mais de 200 fotografias acompanhadas de artefatos e testemunhos apresentados no contexto histórico do gueto Lodz.

Com sua câmera Henryk Ross conseguiu capturar imagens ímpares do trauma do Holocausto – famílias definhadas e a tristeza das deportações. Entretanto, o fotógrafo conseguiu capturar também momentos raros de alegrias; como crianças brincando, pequenas festas e até mesmo celebrações de casamentos.

Henry Ross 2

Casamento judáico dentro do gueto Lodz

A precisosa documentação feita por Henryk Ross do gueto revela o cotidiano e a luta de uma comunidade tentando manter não somente sua sanidade, mas entender o que realmente estava acontecendo ao seu redor.

Suas fotos deixaram como testemunhas para a posteridade os horrores perpetrados por um país que recusou-se a ver parte de sua população como seres humanos, mas simplesmente como vermes a serem exterminados.

 

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