ALBERTA JONES – E A BUSCA POR JUSTIÇA.

Alberta Jones

Pioneira na luta pelos direitos civis foi assassinada em 1965 aos 34 anos em Louisville, Kentucky.

Alberta Jones não é um nome reconhecido na luta pelos direitos civis dos negros nos EUA. Ela foi a primeira mulher negra a tornar-se promotora na cidade. Ela foi também a pessoa responsável pelo primeiro contrato profissional assinado pelo lutador de boxe Cassius Clay, conhecido mundialmente como Muhammad Ali, seu vizinho.

Graças a tenacidade do professor Lee Remington da Universidade de Belarmine que está pesquisando nos arquivos da polícia local em busca de informações sobre Alberta Jones para escrever um livro sobre esta pioneira, a polícia de Louisville resolveu reabrir o caso.

“Acredito que a morte dela estava ligada diretamente ao trabalho que estava desenvolvendo na cidade”, disse o professor.

Flora Shanklyn de 81 anos, acredita que a polícia foi negligente na busca pelo culpado pela morte de sua irmã. Para ela, na época do assassinato a polícia não deu a devida importância que certamente o caso merecia.

Para muita gente a ausência do nome Alberta Jones nos anais dos heróis na luta pelos diretos civis se deve ao fato de que nunca foi provado que sua morte foi por um motivo racial ou político. Além do mais, o estado de Kentucky localizado na divisa entre o Norte e o Sul do país não tinha a mesma atmosfera racista de lugares como Birmingham no Alabama onde até mesmo igrejas eram bombardeadas e os ativistas pelos direitos civis eram frequentemente assassinados. Porém, isto não quer dizer que havia uma harmonia entre negros e brancos.

 

Mesmo depois de formar-se em direito pela universidade Howard, Alberta Jones regressou para uma cidade segregada em todos os seus aspectos sociais e culturais. Ela ajudou a fundar a Associação de Eleitores Independentes registrando mais de 6 mil eleitores negros.

“Nós ensinamos aos eleitores negros como usar a máquina pública”, ela disse em entrevista ao periódico Courier-Journal em Março de 1965. Isto foi um pouco antes de retornar com seu diploma de Direito nas mãos.

Este diploma abriu as portas para ela tornar-se a primeira promotora negra no estado.  Quando voltou a sua cidade natal costumava escutar que ela tinha dois fatores importantes contra ela. Era mulher e negra.

Alberta Jones tinha plena consciência disto. Entretanto, acreditava que poderia fazer alguma diferença na sociedade onde vivia.

Na noite em que foi morta em 5 de Agosto de 1965 testemunhas disseram que dois homens negros arrastaram uma mulher negra gritando para o banco traseiro de um carro igual ao que Alberta Jones estava dirigindo, de acordo com as informaçoes da polícia na época.

Sua irmã ainda hoje, mais de 50 anos depois de seu assassinato, acredita que sua morte foi concatenada a mando de alguém muito poderoso na cidade. ” Eu não posso afirmar quem foi. Porém, é certo que minha irmã estava pisando em calcanhares de gente muito forte”, ela disse.

De acordo com o atual delegado investigando a reabertura do caso, a polícia nunca encontrou provas concretas que pudessem realmente levar até o autor, ou autores do crime.

Naturalmente isto não desencoraja o professor Remington que ainda acredita que a morte inexplicável desta pioneira será resolvida. Enquanto isto não acontece, ele continua firme nas suas pesquisas para escrever uma bela biografia.

 

 

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