ESCRAVOS NO RJ DO SECULO XIX.

Quando se casavam, os escravos raramente escolhiam um conjuge fora da condicao de escravidao(como se ele/a pudesse realmente escolher!). O concubinato entre senhores brancos e escravas era comum, mas o casamento entre eles, quase inexistente. Como observa Hoetink, a caracteristica dominante de uma sociedade multirracial e a concentracao de preconceitos em torno do casamento; isso era certamente verdade no Rio.

As relacoes sexuais entre homens brancos e mulheres de cor eram socialmente aceitaveis, desde que nao envolvessem matrimonio. Por outro lado, nem uniao ilicita nem casamento eram permissiveis entre uma mulher branca e um homem de cor. Como escreveu habersham ” e muito dificil, exceto entre a classe mais baixa, para um homem de cor casar-se com uma mulher branca, ou vice-versa. A raca de cor e tolerada, ma nao e amada.

Nos registros paroquiais, ha um exemplo incomum de casamento entre uma mulher portuguesa branca e um mulato. Francisco Jose de Assis era filho de mulatos libertos no Rio – em outras palavras, seus pais foram escravos. A mulher Maria Leopoldina Machado da Camara, nascera em Portugal e vivera em Sao Miguel, uma ilha dos Acores, antes de vir para o Brasil. Cerca de dois anos depois de sua chegada, casou-se com Francisco. Embora ela soubesse ler e escrever, o que a tornava incomum para a epoca, depois do casamento viveram como agregados numa chacara do morro do Livramento e parece que seu marido trabalhou como pintor mais tarde. O filho deles, Joaquim Maria Machado de Assis, nascido em 1839, romancista famoso, era assim neto de mulatos libertos e brancos portugueses. Casou-se tambem com uma mulher portuguesa, contra a vontade da familia dela. A VIDA DOS ESCRAVOS NO RIO DE JANEIRO: 1808-185 – MARY C. KARASCH.