Escravos no RJ do seculo XIX

Os escravos do Rio cantavam em todas as ocasioes possiveis. Os grupos de carregadores cantavam em coro em suas linguas africanas enquanto trotavam pelas ruas com volumes sobre as cabecas. As vezes, paravam para descansar, reunindo-se em torno de um cantor principal e cantando em grupo. Segundo Schlichtorst, cantavam as cancoes de sua “terra nativa”. Debret fez uma descricao comovente do que acontecia quando “um deles estava inspirado pela saudade da terra natal”. O escravo parava na rua e comecava a cantar, outros, que eram seus compatriotas, reuniam-se em torno dele. Acompanhavam-no com um refrao ou um certo  grito, um tipo de “refrao estranho” articulado em dois ou tres sons. Apos o canto, comecava uma pantomina improvisada por aqueles que iam para o centro do circulo. Durante a encenacao, as faces dos atores ficavam possuidas por “delirio”(transe?). Outros ainda batiam palmas, duas batidas rapidas para uma lenta. com o fim da cancao, o encantamento desaparecia; cada um seguia seu caminho “friamente”, pensando no acoite do senhor e na necessidade de terminar o trabalho que fora interrompido pelo “delicioso intermezzo”.  A Vida dos escravos no Rio de Janeiro: 1808-1850. Mary C. Karasch.